O ultrassom foi pedido por causa de uma dor na barriga, de um exame de sangue alterado ou simplesmente de um check-up. A tomografia foi feita por outro motivo, uma pedra no rim, uma dor nas costas, um acidente. E no meio do laudo apareceu uma frase nova. "Nódulo hepático." "Lesão focal no segmento VI." "Imagem hipoecoica a esclarecer." "Lesão hipoatenuante pequena demais para caracterizar." A busca na internet devolveu câncer de fígado e metástase na primeira página.
Este texto é para esse momento. Ele explica o que o radiologista quer dizer com cada termo, quais lesões são comuns e benignas, quais pedem investigação, qual exame vem depois e quando o caso é cirúrgico. Ao final, você deve conseguir ler o seu laudo e saber em qual grupo está.
O que é um nódulo no fígado
Nódulo, lesão focal, imagem nodular, formação e, nos laudos de quem tem cirrose, observação são palavras diferentes para a mesma ideia. Existe uma área do fígado que aparece diferente do resto. "Focal" quer dizer que a alteração está num ponto, e não espalhada pelo órgão inteiro, como na gordura no fígado.
Nenhuma dessas palavras quer dizer tumor maligno. "Lesão" em radiologia não é ferida nem doença. É qualquer coisa que o exame consegue separar do tecido em volta. Uma bolsa de água é lesão. Um novelo de vasos é lesão. Uma área do fígado que acumulou menos gordura que o resto também aparece como lesão. O laudo descreve o que vê. O nome da doença, quando existe, vem depois.
Os laudos usam um vocabulário próprio para cada exame. Conhecer esses termos tira metade do susto.
| Termo no laudo | Exame | O que quer dizer |
|---|---|---|
| Hiperecoica, hiperecogênica | Ultrassom | Mais clara que o fígado. É o aspecto típico do hemangioma pequeno |
| Hipoecoica | Ultrassom | Mais escura que o fígado. Inespecífico, pode ser muita coisa |
| Anecoica, com reforço acústico posterior | Ultrassom | Preta, cheia de líquido. É o aspecto do cisto simples |
| Hipodensa, hipoatenuante | Tomografia | Mais escura que o fígado. Cistos, hemangiomas e metástases podem ser assim |
| Hiperintensa em T2 | Ressonância | Brilhante numa sequência que destaca água. Cistos e hemangiomas brilham muito |
| Realce, impregnação | Tomografia e ressonância | A lesão captou o contraste, ou seja, tem vasos e tecido vivo dentro |
| Lavagem, washout | Tomografia e ressonância | A lesão capta contraste cedo e escurece depois. No fígado cirrótico, sugere câncer |
| Pequena demais para caracterizar | Tomografia | Pequena demais, em geral menor que 1 cm, para medir a densidade com segurança |
Quão comum é ter um nódulo no fígado
Muito comum. O documento do Colégio Americano de Radiologia sobre lesões do fígado encontradas por acaso, publicado em 2017, estima que até 30% das pessoas acima de 40 anos têm alguma lesão hepática visível na tomografia. Quanto melhor o aparelho, mais lesões aparecem.
O maior levantamento sobre o tema analisou os ultrassons de 45.319 pacientes de um hospital alemão ao longo de 10 anos. Em 15,1% deles havia pelo menos uma lesão benigna no fígado. A distribuição foi esta.
- Área de preservação gordurosa, um pedaço de fígado com menos gordura que o resto, em 6,3%.
- Cisto hepático em 5,8%.
- Hemangioma em 3,3%.
- Hiperplasia nodular focal em 0,2%, ou 1 em 500 pessoas.
- Adenoma hepático em 0,04%, ou 1 em 2.500 pessoas.
A pergunta que decide tudo, em qual grupo você está
O mesmo nódulo de 8 mm significa coisas diferentes em pessoas diferentes. Por isso as diretrizes começam pela pessoa, e não pela imagem. O Colégio Americano de Radiologia divide os pacientes em dois grupos.
Baixo risco. Não tem câncer conhecido, não tem doença crônica do fígado e não tem fatores de risco para câncer de fígado. Entre esses, quem tem mais de 40 anos tem um risco um pouco maior que os mais jovens.
Alto risco. Tem um câncer com tendência a se espalhar para o fígado, como os de intestino, estômago, pâncreas, mama e pulmão. Ou tem cirrose. Ou tem algum fator de risco para câncer primário do fígado, como hepatite B ou C crônica, consumo excessivo de álcool, esteatohepatite, colangite esclerosante, hemocromatose ou uso de anabolizantes.
Os exames de sangue básicos são as enzimas do fígado e as sorologias para hepatites.
Se você está no grupo de baixo risco, guarde esta regra. Em quem não tem câncer, cirrose nem fator de risco hepático, uma lesão menor que 1 cm em geral não precisa de nenhum exame adicional e pode ser considerada benigna. É a primeira recomendação do documento americano de radiologia.
Aprenda a ler o seu laudo
Pegue o laudo e percorra os itens abaixo. A maioria dos laudos responde a quase todos.
1. Qual exame e com qual contraste
Ultrassom sem contraste vê forma e conteúdo, mas pouco do comportamento dos vasos. Tomografia sem contraste vê ainda menos. Tomografia ou ressonância com contraste em várias fases, descritas como arterial, portal e tardia ou de equilíbrio, mostram como a lesão se enche de sangue ao longo do tempo, e esse padrão é o que diferencia uma lesão da outra. Se o seu exame foi feito sem contraste ou só em uma fase, muitas vezes ele não tem como dar o diagnóstico, e o laudo vai dizer "a esclarecer".
2. Tamanho
Os cortes que as diretrizes usam são 1 cm, 1,5 cm, 3 cm e 5 cm. Abaixo de 1 cm, a maioria das lesões é benigna, mesmo em quem tem câncer. Entre 1 e 1,5 cm, o aspecto passa a pesar mais. Acima de 1,5 cm sem aspecto claramente benigno, o caminho é ressonância. No adenoma em mulher, 5 cm é a linha que separa acompanhar de operar.
3. Número
"Lesão única" e "múltiplas lesões" contam histórias diferentes. Múltiplos cistos pequenos e múltiplos hemangiomas são comuns e benignos. Múltiplos nódulos sólidos em quem tem câncer levantam a hipótese de metástase. Pequenos pontos císticos espalhados pelo fígado, menores que 1,5 cm, costumam ser hamartomas biliares, malformações benignas que não precisam de acompanhamento.
4. Conteúdo, líquido ou sólido
No ultrassom, líquido é preto e homogêneo. Na tomografia, o radiologista mede a densidade em unidades Hounsfield (UH). Uma lesão homogênea com densidade de até 20 UH, de margem nítida, que não capta contraste, é cisto. Densidade maior, conteúdo heterogêneo, parede grossa ou captação de contraste indicam lesão sólida ou cisto complexo.
5. Margem
Margem nítida e regular favorece lesão benigna. Margem irregular, mal definida ou com halo ao redor pesa para o lado da investigação.
6. O fígado ao redor
Fígado de aspecto normal, fígado com esteatose ou fígado com sinais de cirrose, descritos como contornos irregulares, lobulados, com aumento do lobo caudado, baço aumentado ou varizes. Essa frase, às vezes escondida no começo do laudo, muda a leitura de qualquer nódulo. No fígado cirrótico, a diretriz de 2024 é clara. Toda lesão deve ser considerada câncer de fígado até prova em contrário.
7. Comparação
"Estável em relação ao exame de 2023" é uma das frases mais tranquilizadoras de um laudo. A ausência de crescimento ao longo de 1 ano favorece fortemente lesão benigna. Se você tem exames antigos, mesmo de outro motivo, leve todos.
8. Descrição ou conclusão
Separe o que está no corpo do laudo do que está na impressão diagnóstica. "Imagem nodular hiperecogênica de 1,2 cm no segmento VII" na descrição, com "provável hemangioma" na conclusão, é um diagnóstico benigno. "Lesão sólida a esclarecer, sugere-se complementação com ressonância" é um pedido de mais exame, e não um diagnóstico de câncer. "Achados compatíveis com cisto simples" encerra a questão.
As lesões benignas mais frequentes
Esteatose focal e área de preservação gordurosa
O fígado pode acumular gordura de forma irregular. Uma área com mais gordura que o resto, ou uma área poupada num fígado gorduroso, aparece no ultrassom e na tomografia como uma mancha que imita nódulo. Ela tem lugares preferidos, junto da vesícula e perto do ligamento que divide o fígado em direito e esquerdo, porque ali a drenagem de sangue é diferente. Não é lesão de verdade. Não cresce, não vira nada e, quando o radiologista reconhece o padrão, não precisa de controle. Na dúvida, a ressonância confirma, porque mede a gordura diretamente.
Cisto hepático simples
O cisto simples é uma bolsa de líquido claro, revestida por uma camada fina de células parecidas com as dos canais da bile, sem ligação com a via biliar. Aparece em 2,5% a 18% das pessoas nos estudos de ultrassom e tomografia, é mais comum em mulheres e aumenta com a idade. No ultrassom é preto, de parede fina e lisa, com reforço acústico atrás. Na tomografia tem densidade de água e não capta contraste. Até 5% dos cistos simples têm um ou dois septos finos, e isso continua sendo benigno.
A diretriz americana traz uma das recomendações mais fortes do documento. Cisto simples sem sintomas, de qualquer tamanho, não precisa de acompanhamento nem de tratamento. Ele não vira câncer. O ultrassom com aspecto típico basta, sem ressonância e sem controle.
Tratamento só entra quando o cisto é grande o suficiente para causar sintoma. Dor ou peso no lado direito, saciedade precoce, falta de ar ou inchaço das pernas por compressão da veia cava. As opções são a fenestração cirúrgica, quase sempre por laparoscopia, em que o cirurgião retira o teto do cisto para que ele não volte a encher, e a aspiração com escleroterapia, feita por radiologista intervencionista. A cirurgia tem a menor taxa de recidiva e permite examinar a parede do cisto ao microscópio. Aspirar o líquido sem escleroterapia não é tratamento, porque o cisto volta a encher.
Hemangioma
O hemangioma é um novelo de vasos sanguíneos dilatados, presente provavelmente desde o nascimento. É o tumor benigno mais comum do fígado. A diretriz europeia estima que esteja presente em cerca de 5% das pessoas nos exames de imagem, e em até 20% nas séries de autópsia. É mais frequente em mulheres entre 30 e 50 anos. A maioria tem menos de 4 cm, e mesmo os grandes costumam não dar sintoma.
No ultrassom, o hemangioma típico é uma bolinha branca, homogênea, de margem nítida. As diretrizes divergem no limite de tamanho para aceitar o diagnóstico só pelo ultrassom. A europeia, de 2016, aceita lesões menores que 3 cm com aspecto típico em fígado normal. A americana, de 2024, é mais conservadora e aceita até 2 cm, em pessoa sem doença do fígado e sem câncer. Fora disso, o diagnóstico é confirmado por ressonância, tomografia ou ultrassom com contraste, que mostram o enchimento de fora para dentro. A ressonância acerta mais de 90% das vezes.
Hemangiomas podem crescer devagar. Um estudo que acompanhou 163 hemangiomas por vários anos mostrou que quase 40% aumentaram de tamanho, e os que cresceram o fizeram em média 2 mm por ano. Crescimento lento de um hemangioma com diagnóstico firme não muda nada.
A conduta é a mesma nas duas diretrizes. Hemangioma típico não precisa de acompanhamento por imagem, qualquer que seja o tamanho. Gravidez e anticoncepcional são permitidos. Gestantes com hemangioma grande não precisam de monitorização especial, segundo a diretriz americana. A exceção é quem tem cirrose ou hepatite B crônica. Nesses casos, um câncer de fígado inicial pode imitar hemangioma, e a recomendação é repetir a imagem a cada 3 a 6 meses durante pelo menos 1 ano.
Os hemangiomas de 10 cm ou mais são chamados de gigantes. Mesmo eles, sem sintoma, não têm indicação de cirurgia. A biópsia quase nunca é necessária, porque a imagem resolve.
Hiperplasia nodular focal
A hiperplasia nodular focal, abreviada como HNF, é o segundo tumor benigno mais comum do fígado. O nome assusta, mas ela nem é um tumor no sentido estrito. É uma reação do tecido do fígado a uma artéria malformada, que recebe sangue demais e faz as células ao redor crescerem num nódulo organizado em volta de uma cicatriz central. Até 90% dos casos são em mulheres, em geral entre 35 e 50 anos. Costuma ser única e menor que 5 cm, e convive com hemangioma em cerca de 20% das pessoas.
A HNF não sangra, não vira câncer e quase sempre fica do mesmo tamanho. A ressonância tem especificidade de quase 100% quando todos os sinais típicos estão presentes. A ressonância com contraste hepatoespecífico é o melhor exame para separá-la do adenoma, porque a HNF retém esse contraste e o adenoma, em geral, não. Para lesões menores que 3 cm, a diretriz europeia aponta o ultrassom com contraste como o exame mais preciso.
Com diagnóstico firme e sem sintomas, a pessoa recebe alta. Não precisa de acompanhamento, não precisa de cirurgia e não precisa parar o anticoncepcional. A gravidez não exige controle especial. Homens com HNF seguem exatamente a mesma conduta. A diretriz americana ainda lembra que, quando se cogita operar por sintoma, o paciente deve saber que a dor provavelmente não vai melhorar, porque a HNF raramente causa sintoma.
Adenoma hepático
O adenoma é o único dos benignos comuns que exige atenção de verdade. É um tumor formado por células do fígado que se multiplicam a partir de uma única célula alterada. É raro, cerca de 10 vezes menos comum que a HNF, e aparece sobretudo em mulheres de 35 a 40 anos, numa proporção de 10 mulheres para cada homem.
O principal fator de risco é hormonal. Mulheres que usam anticoncepcional oral por muitos anos têm risco 30 a 40 vezes maior que as que não usam. O adenoma também está ligado a obesidade e síndrome metabólica, ao uso de anabolizantes e a algumas doenças raras de depósito de glicogênio.
Dois riscos justificam o cuidado. O primeiro é sangramento. Uma revisão sistemática de 2012, com 1.176 pacientes, encontrou sangramento em 27,2% dos pacientes e ruptura com sangue na barriga em 17,5%. O segundo é a transformação em câncer. Outra revisão, de 2010, com mais de 1.600 adenomas, estimou essa transformação em 4,2%. Só 4,4% dos casos que viraram câncer tinham menos de 5 cm. Esses números vêm em boa parte de séries cirúrgicas, que concentram os casos mais graves, e superestimam o risco de quem tem um adenoma pequeno descoberto por acaso. Mas mostram por que o tamanho de 5 cm virou a linha de corte.
O adenoma tem subtipos, definidos pela alteração genética.
- HNF1A inativado, de 30% a 40% dos casos. Cheio de gordura, reconhecível na ressonância. Raramente vira câncer.
- Inflamatório, de 40% a 55%. Mais comum em obesos e em quem bebe muito. Também costuma ser reconhecível na ressonância.
- Beta-catenina ativada, de 10% a 20%. Mais comum em homens. É o subtipo com maior risco de virar câncer, e a imagem não consegue diferenciá-lo com segurança.
- Sonic hedgehog e não classificados, minoria, sem aspecto típico na imagem.
A conduta segue sexo, tamanho e comportamento.
- Toda mulher com adenoma deve parar o anticoncepcional hormonal, incluindo o DIU com hormônio, e perder peso se tiver sobrepeso. Em até um terço dos casos o adenoma diminui só com isso.
- Mulher com adenoma de 5 cm ou mais repete a ressonância depois de 6 a 12 meses de mudança de hábito. Se continuar com 5 cm ou mais, ou se crescer, a indicação é retirar.
- Mulher com adenoma menor que 5 cm fica em acompanhamento com imagem.
- Homem com adenoma, de qualquer tamanho, tem indicação de tratamento, de preferência cirurgia, porque o risco de câncer é bem maior.
- Adenoma com beta-catenina, quando há biópsia que mostre isso, deve ser retirado qualquer que seja o tamanho.
Homem com adenoma tem indicação de tratamento qualquer que seja o tamanho, nas duas diretrizes. No acompanhamento do adenoma menor que 5 cm em mulher, a diretriz americana sugere imagem a cada 6 meses por 2 anos e depois uma vez por ano. Para o adenoma de 5 cm ou mais, um estudo holandês mostrou que mais da metade regride para 5 cm ou menos, mas leva em média 2 anos. Por isso a diretriz americana aceita esperar 6 a 12 meses antes de indicar cirurgia.
Na gravidez, o adenoma pede vigilância. A diretriz europeia recomenda ultrassom a cada 6 a 12 semanas, e a americana indica tratamento se o adenoma passar de 6,5 cm ou tiver sinais de risco de ruptura. Adenoma menor que 5 cm, que não cresce e não faz saliência para fora do fígado, não impede parto normal.
Lesão pequena demais para caracterizar
Esta é provavelmente a frase de laudo que mais gera consulta desnecessária e mais noite mal dormida. Ela significa que a tomografia mostrou um pontinho escuro, quase sempre menor que 1 cm, e que o radiologista não conseguiu medir a densidade dele com precisão. Muito provavelmente é um cisto minúsculo ou um hemangioma pequeno. Ele só não pode afirmar isso com o exame que tem na mão.
Em quem está no grupo de baixo risco, o Colégio Americano de Radiologia considera essas lesões benignas e não recomenda nada. Nem ressonância, nem controle.
Em quem tem câncer, a recomendação muda para uma ressonância em 3 a 6 meses, que caracteriza a lesão e mostra se ela cresceu. Os números ajudam a ver o tamanho do risco. Um estudo de 1999 revisou as tomografias de 2.978 pacientes com câncer. Lesões pequenas apareceram em 12,7% deles. No acompanhamento, 80,2% desses pacientes tinham lesões estáveis, consideradas benignas, e 11,6% tinham lesões que cresceram e eram metástases. O risco variou com o tipo de câncer, de 4% no linfoma a 14% no câncer colorretal e 22% no câncer de mama. Outro estudo, com 1.133 pacientes com câncer de estômago ou de intestino antes da cirurgia, encontrou lesões de até 1,5 cm em 25,5%. Quando essas lesões pequenas eram o único achado no fígado, só 2,2% dos pacientes tinham metástase.
Ou seja, mesmo em quem tem câncer, a maioria dessas lesões é benigna. Mas aqui a regra é investigar, porque descobrir uma metástase cedo muda o tratamento.
Achados que pedem mais investigação
Nódulo em fígado com cirrose ou hepatite B ou C
Quem tem cirrose de qualquer causa, ou hepatite B crônica mesmo sem cirrose, tem risco aumentado de carcinoma hepatocelular, o câncer primário do fígado mais comum. Quem tem cirrose, e parte das pessoas com hepatite B crônica, deve fazer vigilância com ultrassom e dosagem de alfafetoproteína a cada 6 meses, segundo a orientação da Associação Americana para o Estudo do Fígado (AASLD), de 2023.
Quando o ultrassom de vigilância mostra um nódulo menor que 1 cm, a conduta é repetir o ultrassom e a alfafetoproteína em 3 a 6 meses. Nódulo novo ou que cresceu, com 1 cm ou mais, vai para tomografia ou ressonância com contraste em várias fases.
Nesse cenário, o laudo de tomografia ou ressonância costuma trazer uma classificação chamada LI-RADS. Ela foi criada pelo Colégio Americano de Radiologia para padronizar os laudos e vale apenas para pessoas de risco, isto é, com cirrose, hepatite B crônica ou câncer de fígado atual ou prévio. Não se aplica ao nódulo achado por acaso em fígado normal. As categorias vão de 1 a 5, com duas categorias especiais. Uma meta-análise de 2023, com 49 estudos e 11.562 lesões, mediu quantas eram câncer de fígado em cada categoria.
| Categoria | Significado | Proporção de câncer de fígado | Conduta habitual |
|---|---|---|---|
| LR-1 | Benigno com certeza | Nenhum caso | Segue a vigilância de rotina |
| LR-2 | Provavelmente benigno | 1% a 10% | Em geral segue a vigilância de rotina |
| LR-3 | Probabilidade intermediária | 31% a 48% | Nova tomografia ou ressonância em 3 a 6 meses |
| LR-4 | Provavelmente câncer de fígado | 64% a 77% | Biópsia ou nova imagem em cerca de 3 meses, com discussão multidisciplinar |
| LR-5 | Câncer de fígado com segurança | 95% a 96% | Diagnóstico confirmado sem biópsia; planejar tratamento |
| LR-M | Maligno, mas não típico de câncer de fígado | 20% a 35%, mas 93% a 100% são algum câncer | Discussão multidisciplinar, frequentemente com biópsia |
| LR-TIV | Tumor dentro de veia | 76% a 88% | Tratamento oncológico |
O carcinoma hepatocelular é um dos poucos cânceres que podem ser diagnosticados sem biópsia. Um nódulo LR-5 em fígado cirrótico tem certeza diagnóstica alta o bastante para se planejar o tratamento diretamente. Se você tem cirrose ou hepatite e recebeu um laudo com LR-3 ou acima, o próximo passo é conversar com o hepatologista ou o cirurgião do aparelho digestivo, sem esperar o próximo ultrassom de rotina.
Nódulo em quem já teve câncer
Em quem teve câncer de intestino, de estômago, de pâncreas, de mama, de pulmão, melanoma ou tumor neuroendócrino, o fígado é um dos primeiros lugares para onde o tumor pode se espalhar. Nesse grupo, um nódulo novo não é achado incidental. Ele faz parte do acompanhamento oncológico e é levado ao médico que trata o câncer.
Para investigar suspeita de metástase, a diretriz americana recomenda ressonância com contraste hepatoespecífico e difusão, que enxerga lesões menores que a tomografia. A comparação com exames anteriores é ainda mais importante aqui. Uma lesão que já estava lá antes do câncer e não mudou quase nunca é metástase. Uma lesão nova, que cresceu entre dois exames, é.
Metástase no fígado não é sinônimo de doença sem tratamento. No câncer colorretal, metástases limitadas ao fígado podem, em parte dos pacientes, ser retiradas por cirurgia, combinada com quimioterapia, com chance real de controle prolongado. No câncer de estômago e nos tumores neuroendócrinos, a cirurgia do fígado também tem lugar em casos selecionados. É por isso que a avaliação precoce por um cirurgião do aparelho digestivo faz diferença.
Cisto complexo e neoplasia mucinosa cística
Nem todo cisto é simples. O laudo pode descrever septos grossos, septos que captam contraste, nódulo na parede, calcificações, parede espessa ou conteúdo heterogêneo. Esses são os sinais de alto risco listados pela diretriz americana, e qualquer um deles no ultrassom pede tomografia ou ressonância. Se a imagem não fecha o diagnóstico e não há sinal de neoplasia, a diretriz americana sugere discutir o caso em equipe e repetir a imagem em 6 a 12 meses.
A principal preocupação nesse cenário é a neoplasia mucinosa cística do fígado, que os laudos antigos chamavam de cistoadenoma biliar. Ela responde por menos de 5% dos cistos do fígado. É mais comum em mulheres, numa proporção de 4 para 1, entre os 40 e os 60 anos, e cerca de três quartos aparecem no lobo esquerdo. A ressonância é o melhor exame, e a presença de septos tem sensibilidade de 95% para esse diagnóstico. Com os critérios atuais da Organização Mundial da Saúde, o risco de virar câncer chega a 10%.
Três pontos sobre esse cisto contrariam o que muita gente espera. O CA 19-9 do sangue não ajuda, porque não separa o cisto simples do mucinoso nem o benigno do maligno. A punção para análise do líquido ou biópsia não é recomendada, por baixa sensibilidade. E o tratamento não é esvaziar nem destelhar o cisto, que recidiva em até 81% dos casos com essas técnicas. O tratamento é a retirada cirúrgica completa, por laparoscopia ou cirurgia aberta.
Outras causas de cisto complexo são abscesso, que vem com febre e dor; cisto hidático, uma parasitose ligada ao contato com cães e ovelhas, com cistos-filhos dentro; e metástases císticas. Cada um tem caminho próprio.
Qual exame vem depois
Ressonância com contraste hepatoespecífico
É o exame que resolve a maioria dos casos. Além do contraste comum, existe um contraste que as células do fígado absorvem e eliminam pela bile, chamado hepatoespecífico, à base de ácido gadoxético. Numa fase tardia do exame, chamada hepatobiliar, o radiologista vê quais lesões têm células de fígado funcionando, como a HNF, e quais não têm, como a maior parte dos adenomas e as metástases. É o exame preferido pelas duas diretrizes para HNF, adenoma e suspeita de metástase. Não usa radiação. As desvantagens são o tempo mais longo dentro do aparelho e o custo.
Tomografia trifásica ou multifásica
A tomografia com contraste em fase arterial tardia, portal e tardia é a alternativa quando a ressonância não está disponível, quando o paciente tem marcapasso incompatível ou claustrofobia, ou quando já vai fazer tomografia de estadiamento de um câncer. A diretriz americana registra que tomografia e ressonância multifásicas não mostraram diferença estatística de acerto diagnóstico, embora a ressonância tenha vantagens. A tomografia de abdome comum, feita só na fase portal, muitas vezes não basta para caracterizar um nódulo.
Quando a biópsia não é o primeiro passo
Muita gente acha que a biópsia é o exame que "tira a dúvida de vez". No fígado, quase sempre é o contrário. A diretriz americana diz que, diante de um nódulo sólido em pessoa sem fatores de risco, a imagem multifásica deve ser o primeiro passo e muitas vezes é suficiente para o diagnóstico. A biópsia tem riscos, como sangramento, pode errar o alvo e, em várias lesões, não muda a conduta.
A biópsia entra quando a imagem é atípica depois de dois bons exames, quando há suspeita de metástase sem tumor primário conhecido, quando um adenoma muda de aspecto e se suspeita de transformação maligna, ou quando o resultado define o tratamento. As duas diretrizes recomendam que lesões atípicas sejam discutidas em reunião multidisciplinar antes da agulha.
Resumo, lesão por lesão
| Lesão | Como aparece | Risco | Conduta |
|---|---|---|---|
| Esteatose focal ou área preservada | Mancha junto da vesícula ou do ligamento central, sem efeito de massa | Nenhum | Nada. Ressonância se houver dúvida |
| Cisto simples | Preto e homogêneo no ultrassom; densidade de água na tomografia; sem captação | Não vira câncer | Sem acompanhamento. Cirurgia ou escleroterapia só se der sintoma |
| Hamartomas biliares | Vários pontos císticos pequenos, menores que 1,5 cm | Nenhum relevante | Sem acompanhamento |
| Hemangioma | Branco no ultrassom; enche de fora para dentro com contraste; muito brilhante em T2 | Não vira câncer; complicações raras | Sem acompanhamento. Cirurgia só por complicação. Em cirrose ou hepatite B, imagem a cada 3 a 6 meses por 1 ano |
| Hiperplasia nodular focal | Acende inteira na fase arterial; cicatriz central; retém contraste hepatoespecífico | Não sangra nem vira câncer | Alta. Não precisa parar anticoncepcional |
| Adenoma, mulher, menor que 5 cm | Variável; em geral não retém contraste hepatoespecífico | Baixo | Parar hormônio, perder peso, imagem seriada |
| Adenoma, mulher, 5 cm ou mais | Idem | Sangramento e, raramente, câncer | Parar hormônio, nova ressonância em 6 a 12 meses; operar se não regredir ou se crescer |
| Adenoma em homem ou com beta-catenina | Idem | Maior risco de câncer | Retirada, qualquer que seja o tamanho |
| Lesão menor que 1 cm, baixo risco | Pequena demais para caracterizar | Muito baixo | Nada |
| Lesão menor que 1 cm, alto risco | Idem | Cerca de 1 em 9 foi metástase num grande estudo; varia com o tumor | Ressonância em 3 a 6 meses |
| Nódulo em cirrose ou hepatite B | Classificado por LI-RADS | Conforme a categoria | Segue a tabela LI-RADS |
| Cisto complexo ou neoplasia mucinosa | Septos grossos, nódulo na parede, calcificação | Depende da causa; na neoplasia mucinosa, até 10% de transformação maligna | Ressonância e discussão em equipe; se o aspecto for de neoplasia mucinosa, retirada cirúrgica completa |
| Metástase | Nódulos múltiplos, anel de captação, lesão nova em quem tem câncer | Doença oncológica | Equipe de oncologia; cirurgia em casos selecionados |
Quando operar
A grande maioria dos nódulos do fígado nunca vai precisar de cirurgia. As indicações reais são poucas e bem definidas.
- Adenoma em homem, de qualquer tamanho.
- Adenoma em mulher que continua com 5 cm ou mais depois de 6 a 12 meses sem hormônio, ou que cresce 20% ou mais no diâmetro.
- Adenoma com beta-catenina confirmada, ou com sinais de transformação maligna.
- Adenoma que sangrou. Na hemorragia grave, o primeiro passo é estabilizar e, muitas vezes, embolizar a artéria. Depois, a lesão é reavaliada e, conforme o tamanho e o aspecto, retirada.
- Cisto simples com sintoma claramente atribuído a ele, como compressão, saciedade precoce ou dor contínua no lado direito.
- Hemangioma com complicação, como ruptura, sangramento dentro da lesão, compressão de órgãos ou vasos ou síndrome de Kasabach-Merritt.
- Neoplasia mucinosa cística, sempre com retirada completa.
- Câncer de fígado e metástases com indicação oncológica, conforme estadiamento e reserva do fígado.
Duas indicações costumam ser pedidas e não se sustentam. Operar um hemangioma grande por medo ou desconforto vago, porque a diretriz americana mostra que esse sintoma quase sempre volta após a cirurgia. E operar uma HNF porque cresceu um pouco, já que crescimento de HNF com diagnóstico firme não é indicação. A cirurgia do fígado é segura em mãos experientes, mas não é pequena. Muitas dessas operações podem ser feitas por laparoscopia. Se a cirurgia foi indicada, vale ler as perguntas para fazer antes da sua cirurgia.
O sintoma que você sente quase nunca vem do nódulo
Muita gente fez o ultrassom porque tinha dor na barriga, queimação, gases ou peso depois de comer. Quando aparece um nódulo no laudo, a conclusão parece óbvia. Achou a causa. Quase nunca é assim.
Cistos e hemangiomas de poucos centímetros não doem. Não causam azia, gases, empachamento, intestino preso ou diarreia. A HNF raramente dá sintoma. As diretrizes registram uma correlação fraca entre o tamanho do hemangioma e qualquer queixa. A exceção são lesões muito grandes, em geral acima de 10 cm, que podem dar peso no lado direito ou saciedade precoce por compressão, e o adenoma que sangra, que causa dor súbita e forte.
A dor no lado direito, abaixo das costelas, que piora depois de comida gordurosa, costuma vir da vesícula. Veja o texto sobre pedra na vesícula. Queimação e empachamento no meio do estômago apontam para dispepsia. Há uma lista de outras causas comuns de dor de estômago. Tratar o nódulo errado não melhora a dor certa, e a dor certa merece investigação própria.
O ultrassom de abdome também costuma revelar outros achados casuais que o paciente confunde com o nódulo. Pólipo na vesícula, pedra na vesícula sem sintomas e, na tomografia, linfonodos mesentéricos ou paniculite mesentérica. Cada um tem a sua lógica e quase todos têm conduta conservadora.
Quando procurar um cirurgião do aparelho digestivo
O médico que pediu o exame resolve a maior parte dos casos. A avaliação com cirurgião do aparelho digestivo entra quando o diagnóstico ou a conduta passa pela possibilidade de cirurgia.
Os casos estão na lista de quando operar, acima, somados a nódulo LI-RADS 4, 5 ou M e a lesão sólida que continua sem diagnóstico depois da ressonância.
O que diz a pesquisa recente
Os números e as condutas deste texto vêm das diretrizes e estudos abaixo.
- Frenette C, Mendiratta-Lala M, Salgia R, Wong RJ, Sauer BG, Pillai A. ACG Clinical Guideline: Focal Liver Lesions. Am J Gastroenterol 2024;119:1235-1271. PMID 38958301. Diretriz vigente do Colégio Americano de Gastroenterologia, que substitui a de 2014. Recomenda imagem multifásica como primeiro passo, sem acompanhamento para cisto simples sem sintoma, hemangioma e HNF confirmados, suspensão de hormônio e perda de peso no adenoma, observação de 6 a 12 meses antes de operar adenoma de 5 cm ou mais em mulher, cirurgia para adenoma em homem de qualquer tamanho, retirada completa da neoplasia mucinosa cística e vigilância de 3 a 6 meses por 1 ano para suposto hemangioma em cirrose ou hepatite B.
- Marrero JA, Ahn J, Rajender Reddy K. ACG clinical guideline: the diagnosis and management of focal liver lesions. Am J Gastroenterol 2014;109:1328-1347. PMID 25135008. Versão anterior da diretriz americana, substituída pela de 2024.
- European Association for the Study of the Liver. EASL Clinical Practice Guidelines on the management of benign liver tumours. J Hepatol 2016;65:386-398. PMID 27085809. Diretriz europeia. Hemangioma típico menor que 3 cm pode ser diagnosticado por ultrassom, sem acompanhamento; HNF sem acompanhamento e sem suspensão de anticoncepcional; adenoma com risco 30 a 40 vezes maior em usuárias de anticoncepcional por longo prazo, cirurgia recomendada em todo homem e em qualquer adenoma com beta-catenina, e reavaliação em 6 meses nas mulheres com corte de 5 cm.
- European Association for the Study of the Liver. EASL Clinical Practice Guidelines on the management of cystic liver diseases. J Hepatol 2022;77:1083-1108. PMID 35728731. Diretriz europeia sobre cistos hepáticos, neoplasia mucinosa cística, hamartomas biliares e doença policística.
- Gore RM, Pickhardt PJ, Mortele KJ, et al. Management of incidental liver lesions on CT: a white paper of the ACR Incidental Findings Committee. J Am Coll Radiol 2017;14:1429-1437. PMID 28927870. Consenso do Colégio Americano de Radiologia. Lesões em até 30% das pessoas acima de 40 anos; lesão menor que 1 cm em paciente de baixo risco não precisa de investigação; em alto risco, ressonância em 3 a 6 meses; estabilidade por 1 ano favorece lesão benigna.
- Kaltenbach TE, Engler P, Kratzer W, et al. Prevalence of benign focal liver lesions: ultrasound investigation of 45,319 hospital patients. Abdom Radiol (NY) 2016;41:25-32. PMID 26830608. Lesão benigna em 15,1%; preservação gordurosa 6,3%, cisto 5,8%, hemangioma 3,3%, HNF 0,2%, adenoma 0,04%.
- Chernyak V, Fowler KJ, Kamaya A, et al. Liver Imaging Reporting and Data System (LI-RADS) version 2018: imaging of hepatocellular carcinoma in at-risk patients. Radiology 2018;289:816-830. PMID 30251931. Descrição do sistema LI-RADS, aplicável apenas a pessoas com risco de câncer de fígado.
- Lee S, Kim YY, Shin J, et al. Percentages of hepatocellular carcinoma in LI-RADS categories with CT and MRI: a systematic review and meta-analysis. Radiology 2023;307:e220646. PMID 36625748. Em 49 estudos e 11.562 lesões, nenhum câncer em LR-1, 1% a 10% em LR-2, 31% a 48% em LR-3, 64% a 77% em LR-4 e 95% a 96% em LR-5.
- Singal AG, Llovet JM, Yarchoan M, et al. AASLD Practice Guidance on prevention, diagnosis, and treatment of hepatocellular carcinoma. Hepatology 2023;78:1922-1965. PMID 37199193. Vigilância com ultrassom e alfafetoproteína a cada 6 meses; nódulo menor que 1 cm repete em 3 a 6 meses; 1 cm ou mais vai para tomografia ou ressonância multifásica; LR-5 com diagnóstico não invasivo.
- Schwartz LH, Gandras EJ, Colangelo SM, Ercolani MC, Panicek DM. Prevalence and importance of small hepatic lesions found at CT in patients with cancer. Radiology 1999;210:71-74. PMID 9885589. Em 2.978 pacientes com câncer, lesões pequenas em 12,7%; 11,6% eram metástases e 80,2% ficaram estáveis.
- Jang HJ, Lim HK, Lee WJ, et al. Small hypoattenuating lesions in the liver on single-phase helical CT in preoperative patients with gastric and colorectal cancer: prevalence, significance, and differentiating features. J Comput Assist Tomogr 2002;26:718-724. PMID 12439304. Lesões de até 1,5 cm em 25,5% de 1.133 pacientes; quando eram o único achado, metástase em 2,2%.
- van Aalten SM, de Man RA, IJzermans JN, Terkivatan T. Systematic review of haemorrhage and rupture of hepatocellular adenomas. Br J Surg 2012;99:911-916. PMID 22619025. Em 1.176 pacientes, sangramento em 27,2% e ruptura em 17,5%.
- Stoot JH, Coelen RJ, De Jong MC, Dejong CH. Malignant transformation of hepatocellular adenomas into hepatocellular carcinomas: a systematic review including more than 1600 adenoma cases. HPB (Oxford) 2010;12:509-522. PMID 20887318. Transformação maligna em 4,2%; apenas 4,4% dos casos malignos em adenomas menores que 5 cm.
- Klompenhouwer AJ, Bröker MEE, Thomeer MGJ, et al. Retrospective study on timing of resection of hepatocellular adenoma. Br J Surg 2017;104:1695-1703. PMID 28857134. Entre adenomas acima de 5 cm observados, 58,5% regrediram para 5 cm ou menos, em mediana de 104 semanas, sem complicações.
- Hasan HY, Hinshaw JL, Borman EJ, et al. Assessing normal growth of hepatic hemangiomas during long-term follow-up. JAMA Surg 2014;149:1266-1271. PMID 25321079. Quase 40% dos hemangiomas crescem com o tempo, em média 2 mm por ano entre os que crescem.
Sinais que exigem avaliação, independentemente do nódulo
Para encerrar, a lista do que não pertence ao nódulo benigno e pede consulta sem esperar o próximo controle.
- Dor forte e súbita no lado direito da barriga, com tontura, palidez ou desmaio, em quem tem adenoma conhecido. Pode ser sangramento e é urgência.
- Pele ou olhos amarelados, urina escura ou fezes claras. Veja o texto sobre icterícia.
- Perda de peso sem explicação, acima de 5% do peso em 6 meses, perda de apetite ou febre prolongada sem foco.
- Barriga crescendo por líquido, inchaço nas pernas, vômito com sangue ou fezes pretas em quem tem cirrose.
- Massa palpável no lado direito, abaixo das costelas.
- Exames do fígado alterados de forma persistente, sobretudo com padrão de fosfatase alcalina e GGT elevadas.
- Nódulo novo ou que cresceu em quem tem cirrose, hepatite B ou C, ou histórico de câncer.
Se nada disso descreve você, e o laudo fala em cisto simples, hemangioma, área de gordura ou lesão pequena demais para caracterizar num fígado normal, a conclusão mais provável é a que abriu este texto. É um achado comum, visto por um aparelho que hoje enxerga tudo, e que não precisa de tratamento. Leve o laudo ao médico e confirme.
