Dr. Daniel Szor

Procedimento

Hérnias da Parede Abdominal (Inguinal, Umbilical, Incisional)

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As hérnias da parede abdominal ocorrem quando parte do conteúdo do abdome se projeta através de um ponto de fraqueza ou de uma abertura na musculatura. É uma das condições mais comuns da cirurgia geral e do aparelho digestivo: aparece em homens e mulheres, em qualquer idade, e tende a se manifestar como um abaulamento que vai e volta. Os tipos mais frequentes são a hérnia inguinal (na virilha), a umbilical (no umbigo) e a incisional (sobre cicatrizes de cirurgias prévias).

Esta página tem caráter informativo e busca explicar, em linguagem acessível, o que são as hérnias, por que surgem, quando o tratamento é indicado, como funcionam as telas e como costuma ser a recuperação. A avaliação individual, com exame clínico e, quando necessário, exames de imagem, é o que define a indicação e a melhor técnica de tratamento para cada pessoa.

Em resumo: hérnia da parede abdominal é a saída de tecido ou de parte de um órgão através de um ponto fraco da musculatura, formando um abaulamento que costuma aumentar com esforço. Os tipos mais comuns são a inguinal, a femoral, a umbilical, a epigástrica e a incisional. Elas não regridem sozinhas e o tratamento definitivo é cirúrgico, com ou sem tela, por via aberta ou minimamente invasiva. Dor súbita e intensa, hérnia endurecida que não retorna e vômitos são sinais de emergência (encarceramento ou estrangulamento).

O que é uma hérnia da parede abdominal

A parede do abdome é formada por camadas de músculo e tecido conjuntivo que sustentam os órgãos internos e mantêm tudo no lugar. Quando existe um ponto de fraqueza ou uma abertura natural nessa parede, a pressão de dentro do abdome pode empurrar tecido gorduroso ou uma alça de intestino para fora, criando uma saliência sob a pele. A isso chamamos de hérnia.

De forma simples, a hérnia tem três componentes: o orifício (a falha na musculatura por onde o conteúdo passa), o saco herniário (a bolsa de revestimento que se forma) e o conteúdo (gordura, intestino ou outro tecido). Por isso o abaulamento costuma aparecer ou crescer quando a pressão abdominal aumenta — ao tossir, fazer força, pegar peso ou ficar muito tempo em pé — e diminuir ou sumir quando a pessoa deita.

Um ponto importante: as hérnias não se fecham sozinhas e não regridem com remédios, faixas ou exercícios. A faixa ou o cinto de hérnia, por exemplo, podem dar uma sensação temporária de contenção, mas não corrigem o defeito da parede. Como a falha tende a aumentar com o tempo, o acompanhamento médico ajuda a definir o momento e a forma mais adequada de tratar.

Os principais tipos de hérnia

As hérnias recebem o nome da região onde aparecem. Conhecer o tipo ajuda a entender o comportamento e o tratamento de cada uma:

  • Hérnia inguinal: a mais comum de todas, localizada na virilha. É bem mais frequente em homens, mas também ocorre em mulheres. Pode descer em direção à bolsa escrotal nos casos maiores.
  • Hérnia femoral (ou crural): também na virilha, porém um pouco mais abaixo, através de um canal estreito por onde passam os vasos da coxa. É menos comum, mais frequente em mulheres e tem maior risco de complicar, justamente por ser um orifício apertado.
  • Hérnia umbilical do adulto: surge no umbigo, em um ponto naturalmente mais frágil da parede. É diferente da hérnia umbilical do bebê, que muitas vezes fecha sozinha; no adulto, ela não regride espontaneamente.
  • Hérnia epigástrica: aparece na linha média do abdome, entre o umbigo e o final do osso esterno. Costuma ser pequena e conter gordura, mas pode causar dor localizada.
  • Hérnia incisional: ocorre sobre a cicatriz de uma cirurgia abdominal anterior, onde a parede cicatrizou de forma mais frágil. Pode aparecer meses ou anos depois da operação.

A tabela a seguir resume as características gerais de cada tipo. São informações orientativas — o quadro real depende sempre da avaliação individual.

Tipo de hérniaLocalizaçãoObservações
InguinalVirilhaA mais comum; mais frequente em homens, mas ocorre em mulheres
Femoral (crural)Virilha, abaixo da inguinalMais comum em mulheres; maior risco de encarcerar
Umbilical do adultoUmbigoNão fecha sozinha; pode crescer com o tempo
EpigástricaLinha média, acima do umbigoEm geral pequena; pode conter apenas gordura
IncisionalSobre cicatriz cirúrgica préviaSurge meses ou anos após a operação

Quadro geral e orientativo; o tipo, o tamanho e a conduta são definidos em avaliação individual.

Vale um esclarecimento: a hérnia encarcerada e a estrangulada não são tipos diferentes de hérnia, e sim complicações que qualquer hérnia pode apresentar quando o conteúdo fica preso no orifício. Elas serão explicadas mais adiante, na seção sobre sinais de urgência.

Hérnia inguinal e femoral na mulher

Existe uma ideia equivocada de que hérnia na virilha é "coisa de homem". Não é. A hérnia inguinal é, sim, mais frequente em homens, mas também acontece em mulheres — e nelas merece uma atenção especial por alguns motivos.

Primeiro, porque o abaulamento na mulher costuma ser menor e mais difícil de perceber, o que faz com que a queixa principal muitas vezes seja dor ou desconforto na virilha, em vez de uma saliência evidente. Isso pode atrasar o diagnóstico e confundir com problemas musculares, ginecológicos ou ortopédicos.

Segundo, porque a hérnia femoral — aquela que passa por um canal mais estreito logo abaixo da virilha — é proporcionalmente mais comum nas mulheres e tem maior tendência a complicar (encarcerar ou estrangular). Por isso, mesmo hérnias femorais pequenas costumam ter indicação de correção. Quando há dor inguinal persistente sem causa clara, vale considerar a hipótese de hérnia e investigar com exame e imagem. Veja em detalhe a hérnia inguinal na mulher.

Por que as hérnias surgem: fatores de risco

As hérnias resultam da combinação de dois fatores: uma fragilidade na parede abdominal (que pode ser congênita, isto é, presente desde o nascimento, ou adquirida ao longo da vida) e o aumento da pressão dentro do abdome, que empurra o conteúdo através desse ponto fraco. Raramente há uma causa única; em geral, vários fatores se somam.

Entre as situações que aumentam a pressão abdominal ou enfraquecem a parede, destacam-se:

  • Esforço físico e levantamento de peso repetidos ou mal executados;
  • Tosse crônica (por tabagismo, bronquite, asma) e espirros frequentes;
  • Obesidade e excesso de peso, que aumentam a tensão sobre a parede;
  • Gestação, pela pressão do útero e pelas alterações da parede abdominal;
  • Prisão de ventre e esforço repetido para evacuar ou para urinar (por exemplo, em aumento da próstata);
  • Cirurgias abdominais prévias, que deixam áreas de cicatriz mais frágeis (hérnia incisional);
  • Idade avançada e fatores ligados ao colágeno, que tornam os tecidos menos resistentes.

É importante entender que esses fatores aumentam o risco, mas não explicam todos os casos: há quem desenvolva hérnia sem nenhum esforço evidente, simplesmente por uma fragilidade individual da parede. Por isso, nem sempre é possível apontar "o que causou" — e controlar os fatores modificáveis (peso, tabagismo, prisão de ventre) ajuda, mas não garante prevenção absoluta.

Sintomas: o abaulamento e o desconforto

O sinal mais característico da hérnia é o abaulamento — uma saliência sob a pele que costuma:

  • Aparecer ou aumentar ao ficar em pé, caminhar, tossir, fazer força ou pegar peso;
  • Diminuir ou desaparecer ao deitar, quando o conteúdo volta para dentro do abdome;
  • Vir acompanhado de desconforto, peso ou dor local, que piora ao longo do dia ou com o esforço.

Muitas hérnias, especialmente no início, causam poucos sintomas ou são apenas um incômodo estético e funcional. Outras provocam dor que limita atividades, exercícios e trabalho. A intensidade dos sintomas não é proporcional ao tamanho: hérnias pequenas, com orifício estreito, às vezes incomodam mais e têm maior risco de complicar do que hérnias grandes e largas.

Quando o abaulamento deixa de voltar para dentro com facilidade — ou seja, fica "preso" —, isso muda o cenário e exige atenção, como explicado a seguir.

Sinais de urgência: encarceramento e estrangulamento

Na maioria das vezes, o conteúdo da hérnia entra e sai livremente (hérnia redutível). O problema acontece quando esse conteúdo fica retido no orifício e não consegue voltar — é o encarceramento. Se, além de preso, o intestino tem o seu suprimento de sangue interrompido, ocorre o estrangulamento, que pode levar à morte do tecido (necrose) e é uma emergência cirúrgica.

Procure pronto-socorro imediatamente se a hérnia apresentar: dor intensa e súbita; abaulamento endurecido que não retorna para dentro mesmo deitado ou empurrando suavemente; vômitos, parada de eliminação de fezes e gases ou distensão da barriga; ou mudança na cor da pele sobre a hérnia (vermelhidão intensa ou tom arroxeado). Esses são sinais de encarceramento ou estrangulamento e exigem avaliação cirúrgica de emergência.

Não tente forçar a redução de uma hérnia muito dolorosa ou endurecida nem espere para ver se melhora: nessas situações, quanto mais cedo a avaliação, menor o risco de complicações graves. Hérnias com orifício estreito — como a femoral — têm maior chance de complicar dessa forma, o que reforça a indicação de tratá-las antes que isso aconteça.

Como é feito o diagnóstico

Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico: feito pela conversa e pelo exame físico. O médico examina a região em pé e deitado e pode pedir que a pessoa tussa ou faça força, manobra que torna o abaulamento mais evidente e ajuda a localizar o orifício.

Exames de imagem não são necessários em todos os casos, mas podem ser úteis quando há dúvida — por exemplo, em hérnias pequenas, em pessoas com sobrepeso, em mulheres com dor inguinal sem abaulamento claro, ou para planejar a cirurgia de hérnias grandes e incisionais:

  • Ultrassonografia: útil para hérnias da virilha e da parede, podendo ser feita com o paciente fazendo força para flagrar o abaulamento;
  • Tomografia computadorizada: dá uma visão detalhada da parede, do tamanho do orifício e do conteúdo, sendo especialmente útil em hérnias incisionais e complexas;
  • Ressonância magnética: reservada a situações específicas, como dor inguinal de origem incerta.

Com o diagnóstico definido — tipo, tamanho e características —, médico e paciente discutem juntos a melhor conduta.

Quando operar e quando acompanhar

A correção cirúrgica é o tratamento definitivo das hérnias, porque elas não se fecham sozinhas. Ainda assim, nem toda hérnia precisa ser operada com urgência — a decisão é individualizada e leva em conta os sintomas, o tipo e o tamanho da hérnia, o risco de complicação e as condições clínicas de cada pessoa.

Em algumas hérnias inguinais pouco sintomáticas em homens, estudos mostram que é seguro adotar uma conduta de observação atenta (o chamado watchful waiting), operando apenas quando os sintomas aparecem ou aumentam. Vale lembrar que boa parte dessas pessoas acaba operando com o tempo, à medida que a hérnia incomoda mais.

Por outro lado, há situações em que a cirurgia costuma ser recomendada mesmo com poucos sintomas, pelo maior risco de complicação — é o caso da hérnia femoral e de hérnias que já encarceraram. E há a indicação de emergência, quando há encarceramento ou estrangulamento. A conduta certa, portanto, depende do conjunto: não existe uma regra única para todos.

O que são as telas (mesh) e por que são usadas

A tela cirúrgica (em inglês, mesh) é uma malha que funciona como um reforço da parede abdominal. Em vez de apenas costurar as bordas do orifício sob tensão — o que tende a doer mais e a abrir de novo —, a tela cobre a área frágil e permite que o próprio tecido do corpo cresça através dela, criando um reparo mais resistente. Esse princípio reduziu de forma importante as taxas de recidiva e é hoje o padrão na maioria das correções de hérnia, sobretudo nas inguinais e nas de maior porte.

Existem diferentes tipos de tela:

  • Telas sintéticas permanentes (em geral de polipropileno): as mais usadas. São feitas para permanecer no corpo e oferecer reforço duradouro;
  • Telas biológicas ou absorvíveis: reservadas a situações específicas, como campos contaminados ou casos selecionados, em que se deseja que o material seja reabsorvido com o tempo.

Sobre durabilidade: as telas permanentes são projetadas para durar a vida toda e se integrar ao tecido. Como todo material implantado, podem, em uma minoria dos casos, associar-se a complicações como dor crônica, infecção, aderências ou, raramente, problemas relacionados ao material. Esses riscos existem e devem ser conversados, mas são pouco frequentes diante do benefício de reduzir a recidiva.

Corrigindo um mito: circula a ideia de que "tela sempre dá problema" ou "o corpo sempre rejeita a tela". Isso não corresponde à realidade: a grande maioria das pessoas operadas com tela evolui bem e sem complicações relacionadas a ela. Reações relevantes existem, mas são exceção. A decisão de usar ou não tela — e qual tipo — é individualizada e discutida caso a caso.

Como é feita a cirurgia: técnicas

Independentemente da via, o objetivo da cirurgia é o mesmo: devolver o conteúdo herniado para dentro do abdome e reforçar a parede, com ou sem tela, conforme a indicação. Existem duas grandes abordagens:

  • Reparo aberto: feito por uma incisão sobre a hérnia, por onde o cirurgião acessa o orifício, reposiciona o conteúdo e fixa a tela. É uma técnica consagrada, que pode ser realizada com anestesia local, regional ou geral, conforme o caso.
  • Reparo minimamente invasivo (videolaparoscópico ou robótico): feito por pequenas incisões, com câmera e instrumentos finos. A tela é posicionada por dentro, atrás da parede. Tende a cursar com menos dor e retorno mais rápido em situações selecionadas, como hérnias dos dois lados ou hérnias recidivadas.

Na correção minimamente invasiva da hérnia inguinal, dois nomes aparecem com frequência: a TAPP e a TEP. De forma simples, ambas posicionam a tela por trás da parede, na região da virilha; a diferença está no caminho percorrido — a TAPP entra na cavidade abdominal e depois acessa a região da hérnia, enquanto a TEP trabalha por fora da cavidade, em um plano mais superficial. As duas são consagradas, e a escolha depende da experiência da equipe e das características do caso.

AspectoReparo abertoMinimamente invasivo (lap/robótico)
AcessoIncisão única sobre a hérniaPequenas incisões com câmera
AnestesiaLocal, regional ou geralEm geral geral
Situações que favorecemMuitos casos; hérnias localizadasHérnias bilaterais, recidivadas, casos selecionados
Dor e retornoRecuperação habitualTende a ser mais rápido em casos selecionados

Nenhuma via é superior em todos os cenários. A escolha é individualizada conforme o tipo de hérnia, o histórico e a avaliação cirúrgica.

Não existe técnica universalmente melhor: a via aberta e a minimamente invasiva têm, cada uma, suas melhores indicações. O que define a escolha é o conjunto — tipo e tamanho da hérnia, cirurgias prévias, condições de saúde e preferências discutidas na consulta.

Recuperação por tipo de hérnia

A recuperação varia conforme o tipo de hérnia, o tamanho do defeito e a técnica utilizada. De modo geral, as hérnias menores e a via minimamente invasiva tendem a ter retorno mais rápido; hérnias grandes e incisionais costumam exigir mais tempo.

  • Hérnia inguinal: muitas pessoas retomam atividades leves em poucos dias a uma a duas semanas, com retorno progressivo ao exercício ao longo de algumas semanas. Veja como costuma ser o pós-operatório da hérnia inguinal.
  • Hérnia umbilical e epigástrica: quando pequenas, costumam ter recuperação semelhante à inguinal, com retorno relativamente rápido às atividades do dia a dia.
  • Hérnia incisional: por envolver uma parede já operada e, muitas vezes, defeitos maiores, tende a ter recuperação mais longa e cuidados pós-operatórios mais prolongados.

Em todos os casos, alguns cuidados ajudam: controlar a dor com a medicação prescrita, evitar prisão de ventre e tosse forte nos primeiros dias, cuidar da ferida e seguir as orientações sobre esforço. O desconforto e um inchaço local nos primeiros dias são esperados; sinais como vermelhidão importante, febre, saída de secreção ou dor crescente devem ser comunicados à equipe.

Quando pegar peso e voltar à academia

Essa é uma das dúvidas mais frequentes — e a resposta é: depende. O retorno aos esforços é progressivo e definido pela equipe conforme o tipo de hérnia, a técnica e a evolução de cada pessoa. Não existe um número mágico igual para todos.

Em linhas gerais, caminhar e fazer atividades leves costuma ser estimulado desde cedo, porque a movimentação ajuda na recuperação. Já o levantamento de peso significativo, os exercícios de força e os esportes de impacto costumam ser liberados de forma gradual ao longo de algumas semanas, respeitando o tempo de cicatrização da parede. A retomada precoce e sem orientação de cargas pesadas pode aumentar o desconforto e, em tese, favorecer problemas na cicatrização.

Quem ainda não operou e já tem o diagnóstico costuma ser orientado a evitar carga excessiva, embora atividades leves como caminhar geralmente sejam bem toleradas. Veja se quem tem hérnia inguinal pode caminhar. A orientação correta, antes e depois da cirurgia, deve ser sempre individualizada.

Recidiva: a hérnia pode voltar?

Sim, existe a possibilidade de a hérnia voltar no mesmo local após a cirurgia — é a chamada recidiva. O uso de tela e o aprimoramento das técnicas reduziram bastante essa chance, mas ela não é zero. Alguns fatores aumentam o risco, como tabagismo, obesidade, infecção na ferida, tosse crônica, esforço precoce e fragilidade individual dos tecidos.

Por isso, controlar os fatores modificáveis (parar de fumar, cuidar do peso, tratar a prisão de ventre, respeitar o tempo de retorno ao esforço) ajuda não só na recuperação, mas também a reduzir a chance de recidiva. Quando uma hérnia recidivada acontece, ela pode ser corrigida novamente, muitas vezes com escolha de uma via diferente da primeira cirurgia.

Dá para prevenir uma hérnia?

Não há como garantir que uma hérnia nunca vai aparecer, porque parte do risco vem de uma fragilidade individual da parede que não está sob nosso controle. Ainda assim, vários cuidados ajudam a reduzir a pressão sobre o abdome e a poupar a musculatura — e os mesmos hábitos contribuem para uma boa recuperação e para diminuir a chance de recidiva depois da cirurgia:

  • Manter o peso sob controle, já que o excesso aumenta a tensão sobre a parede abdominal;
  • Parar de fumar, o que reduz a tosse crônica e melhora a cicatrização dos tecidos;
  • Evitar prisão de ventre com dieta rica em fibras e boa hidratação, para não forçar ao evacuar;
  • Levantar peso com técnica adequada, usando as pernas e evitando cargas excessivas de forma brusca;
  • Fortalecer o core de maneira orientada, sem exageros e respeitando os limites do corpo;
  • Tratar condições que aumentam a pressão abdominal, como tosse persistente e dificuldade para urinar.

Essas medidas não substituem o tratamento de uma hérnia já existente, mas fazem parte de um cuidado geral com a parede abdominal e são especialmente úteis para quem já operou e quer reduzir o risco de a hérnia voltar.

Mitos comuns sobre hérnias

  • "Hérnia pode virar câncer." Falso. A hérnia é um problema mecânico da parede abdominal e não se transforma em câncer. O cuidado real é outro: não confundir um abaulamento ou uma dor com hérnia quando se trata de outra coisa — por isso a avaliação é importante.
  • "Hérnia se resolve com faixa, cinto ou exercício." Falso. Faixas e cintos podem aliviar temporariamente, mas não fecham o orifício; exercícios não corrigem o defeito. O tratamento definitivo é cirúrgico.
  • "Tela sempre dá problema / o corpo rejeita." Falso. A maioria das pessoas operadas com tela evolui bem; complicações relacionadas ao material existem, mas são exceção.
  • "Toda hérnia precisa operar com urgência." Nem sempre. Há casos em que se pode acompanhar, e há casos que pedem cirurgia mais cedo ou de emergência. Depende do tipo e dos sintomas.
  • "Hérnia pequena não é problema." Cuidado. Hérnias pequenas, com orifício estreito, podem ter maior risco de encarcerar do que hérnias grandes.

Diante de qualquer dúvida — um abaulamento novo, dor na virilha ou no umbigo, ou sinais de alerta —, a avaliação médica é o caminho seguro para o diagnóstico correto e a melhor conduta.

Dúvidas frequentes

Perguntas e respostas

Toda hérnia tem que operar?
A cirurgia é o tratamento definitivo, porque a hérnia não se fecha sozinha. Mas nem toda hérnia precisa ser operada de imediato: em algumas hérnias inguinais pouco sintomáticas em homens, pode-se acompanhar e operar quando os sintomas aparecem. Já hérnias femorais e as que já encarceraram costumam ter indicação de correção mesmo com poucos sintomas. A decisão é individualizada.
Hérnia pode esperar ou tem que operar logo?
Depende do tipo e dos sintomas. Hérnias pouco sintomáticas e de baixo risco podem, em casos selecionados, ser acompanhadas. Por outro lado, sinais como dor intensa e súbita, abaulamento endurecido que não retorna, vômitos ou mudança de cor da pele indicam complicação e exigem atendimento de emergência. Na dúvida, a avaliação médica define o momento certo.
Hérnia desaparece sozinha?
Não. As hérnias da parede abdominal no adulto não regridem espontaneamente e tendem a aumentar com o tempo. Faixas, cintos e exercícios não corrigem o defeito da parede. O tratamento definitivo é cirúrgico, com indicação avaliada caso a caso.
A tela de hérnia dissolve ou é para sempre?
Depende do tipo. As telas sintéticas mais usadas são permanentes, feitas para permanecer no corpo e se integrar ao tecido, oferecendo reforço duradouro. Já as telas biológicas ou absorvíveis são reabsorvidas com o tempo e ficam reservadas a situações específicas. A escolha é individualizada.
É verdade que a tela sempre dá problema?
Não. A maioria das pessoas operadas com tela evolui bem e sem complicações relacionadas a ela. Como todo material implantado, a tela pode, em uma minoria dos casos, associar-se a dor crônica, infecção ou outras reações, que devem ser conversadas. Mas o benefício de reduzir a recidiva costuma superar esses riscos na maioria das indicações.
Hérnia vira câncer?
Não. A hérnia é um problema mecânico da parede abdominal e não se transforma em câncer. A importância da avaliação é outra: garantir que um abaulamento ou uma dor sejam realmente uma hérnia, e não outra condição que precise de investigação diferente.
Quando posso pegar peso depois da cirurgia de hérnia?
O retorno ao esforço é progressivo e definido pela equipe conforme o tipo de hérnia, a técnica e a evolução individual. Caminhar e atividades leves costumam ser estimulados desde cedo; já levantar peso, exercícios de força e esportes de impacto são liberados de forma gradual ao longo de algumas semanas. A orientação deve ser individualizada.
Quem tem hérnia inguinal pode malhar ou caminhar?
Caminhar e atividades leves geralmente são bem toleradas por quem tem o diagnóstico. Já exercícios de força e levantamento de peso aumentam a pressão dentro do abdome e costumam ser desaconselhados até a avaliação, pois podem agravar os sintomas. Após a cirurgia, a volta à academia é gradual. O ideal é alinhar a rotina de exercícios com seu cirurgião.
Mulher tem hérnia inguinal?
Sim. A hérnia inguinal é mais comum em homens, mas também ocorre em mulheres, em quem costuma se manifestar mais por dor na virilha do que por um abaulamento evidente. Além disso, a hérnia femoral, que tem maior risco de complicar, é proporcionalmente mais frequente em mulheres. Dor inguinal persistente sem causa clara merece investigação.
Quanto tempo demora a recuperação da cirurgia de hérnia?
Varia conforme o tipo de hérnia e a técnica. Hérnias inguinais e umbilicais pequenas costumam permitir retorno a atividades leves em poucos dias a uma a duas semanas, com retomada progressiva do exercício. Hérnias incisionais e maiores tendem a exigir mais tempo. O cronograma exato é definido individualmente.

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