Dr. Daniel Szor
Por que o esôfago de Barrett exige acompanhamento
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Por que o esôfago de Barrett exige acompanhamento

11 de junho de 2026

O esôfago de Barrett é uma alteração na mucosa (o revestimento interno) do esôfago, ligada principalmente ao refluxo gastroesofágico crônico. Ele costuma ser descoberto durante uma endoscopia e, embora não cause sintomas próprios, merece atenção e acompanhamento, porque está associado a um risco aumentado de um tipo de câncer de esôfago.

O que é o esôfago de Barrett

Quando o conteúdo ácido do estômago sobe repetidamente para o esôfago ao longo dos anos, a mucosa pode se modificar como forma de "se defender" da irritação constante. Nesse processo, o revestimento normal do esôfago é substituído por um tipo de tecido parecido com o do intestino — uma alteração chamada metaplasia intestinal. Essa é a marca do esôfago de Barrett.

Por que ele exige atenção

O esôfago de Barrett é a única condição precursora conhecida do adenocarcinoma de esôfago, um câncer cuja frequência vem aumentando nas últimas décadas. É importante manter as coisas em perspectiva: a grande maioria das pessoas com Barrett nunca desenvolverá câncer, e o risco anual de progressão é baixo. Ainda assim, justamente por existir esse precursor identificável, o acompanhamento permite detectar precocemente eventuais alterações e tratá-las antes que se tornem um problema maior.

Quem tem mais risco

O Barrett é mais comum em pessoas com refluxo de longa data e que somam outros fatores, como:

  • Sintomas de refluxo (azia, regurgitação) por muitos anos.
  • Idade mais avançada e sexo masculino.
  • Sobrepeso e obesidade, sobretudo com gordura concentrada no abdome.
  • Tabagismo.
  • História familiar de Barrett ou de câncer de esôfago.

Por isso, pessoas com refluxo crônico e fatores de risco podem se beneficiar de uma endoscopia para avaliar a presença da condição.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico depende da endoscopia digestiva alta com biópsias. Durante o exame, o médico observa alterações características na mucosa da parte final do esôfago e colhe pequenos fragmentos para análise. É essa análise no microscópio que confirma a metaplasia intestinal e avalia se há displasia — alterações nas células que indicam maior risco de progressão e que orientam a conduta.

Como é o acompanhamento e o tratamento

A conduta depende, sobretudo, da presença e do grau de displasia:

  • Sem displasia: o tratamento foca no controle do refluxo (medicamentos que reduzem a acidez e mudanças no estilo de vida) e na vigilância endoscópica periódica, em intervalos definidos caso a caso.
  • Com displasia: além do controle do refluxo, costuma-se indicar tratamento endoscópico da área alterada — como a ablação por radiofrequência ou a ressecção endoscópica —, que remove ou destrói o tecido doente preservando o esôfago.

O controle rigoroso do refluxo é parte central do cuidado em todos os casos. A frequência da vigilância e a indicação de tratamento são sempre individualizadas.

O que diz a pesquisa recente

Uma diretriz atualizada do Colégio Americano de Gastroenterologia, publicada por Shaheen NJ et al., The American Journal of Gastroenterology, 2022, reuniu as evidências sobre o diagnóstico e o manejo do esôfago de Barrett. O documento reforça que o Barrett é o único precursor conhecido do adenocarcinoma de esôfago — um câncer de difícil tratamento e com incidência crescente — e detalha quem deve ser rastreado, com que frequência fazer a vigilância endoscópica conforme o grau de displasia, e o papel cada vez maior das terapias endoscópicas no tratamento das lesões com displasia, em vez da cirurgia. A mensagem prática é que o acompanhamento estruturado permite agir cedo e reduzir o risco de progressão. Ver no PubMed.

Como reduzir o risco

Algumas medidas ajudam a controlar o refluxo e fazem bem à saúde de modo geral: manter o peso adequado, evitar grandes refeições à noite, não se deitar logo após comer, elevar a cabeceira da cama, não fumar e seguir o tratamento do refluxo orientado pelo médico. O mais importante, porém, é não abandonar o acompanhamento: é ele que garante a detecção precoce de qualquer alteração.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser individualizados. Se você tem refluxo de longa data ou recebeu o diagnóstico de esôfago de Barrett, agende uma avaliação com o Dr. Daniel Szor.

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