Dr. Daniel Szor
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Abscesso e fístula anal, sintomas, tratamento e cirurgia

28 de julho de 2026

Resposta rápida

O abscesso anal é uma coleção de pus ao redor do ânus ou do reto, que causa dor intensa, inchaço e, muitas vezes, febre — e cujo tratamento é a drenagem cirúrgica, com urgência. A fístula anal é um túnel que se forma entre o canal anal e a pele, geralmente como sequela de um abscesso que drenou; ela se manifesta por saída persistente de secreção ou pus e não cicatriza sozinha. O tratamento definitivo da fístula é cirúrgico. Antibiótico isolado não resolve nem o abscesso nem a fístula.

Poucas queixas da região anal são tão intensas quanto a dor de um abscesso anal: uma dor latejante, que piora ao sentar e ao evacuar, muitas vezes acompanhada de febre. E, quando o abscesso finalmente drena — sozinho ou por meio de uma cirurgia —, pode restar um problema crônico e incômodo: a fístula anal, uma ferida que insiste em soltar secreção e não fecha. Abscesso e fístula são, na maioria das vezes, dois momentos de um mesmo processo.

Este guia explica o que são essas duas condições, por que uma leva à outra, quais são os sintomas, como é feito o tratamento e por que, tanto no abscesso quanto na fístula, a solução definitiva costuma passar pela cirurgia.

De onde vem o problema

Ao redor do canal anal existem pequenas glândulas. Quando uma dessas glândulas entope e infecciona, forma-se uma coleção de pus — o abscesso anal (ou perianal). Essa é a explicação mais comum para o quadro e o motivo de o abscesso e a fístula estarem tão relacionados: ambos costumam nascer da mesma origem, a infecção de uma glândula anal.

Se o abscesso é drenado, a infecção aguda se resolve — mas, em parte dos casos, o trajeto por onde o pus saiu não cicatriza por completo e se transforma em um túnel permanente entre o interior do canal anal e a pele ao redor do ânus. Esse túnel é a fístula anal.

Abscesso anal: a fase aguda

O abscesso anal é um problema agudo e urgente. Os sintomas típicos são:

  • Dor intensa e latejante ao redor do ânus, que piora ao sentar, caminhar e evacuar;
  • Inchaço, vermelhidão e calor na região, às vezes com um caroço endurecido e muito dolorido ao toque;
  • Febre, calafrios e mal-estar, sinais de que há infecção;
  • Eventual saída espontânea de pus, caso o abscesso se rompa pela pele.

A dor costuma ser progressiva e forte o suficiente para atrapalhar atividades simples, como sentar. Trata-se de uma situação que merece avaliação médica rápida, tanto pelo sofrimento quanto pelo risco de a infecção se estender.

Fístula anal: a fase crônica

Quando o abscesso deixa como herança o tal túnel, instala-se a fístula anal. Diferentemente do abscesso, ela costuma doer menos, mas incomoda de forma persistente. Os sinais mais comuns são:

  • Saída intermitente de secreção ou pus por um pequeno orifício na pele próximo ao ânus, muitas vezes manchando a roupa íntima;
  • Uma ferida que não cicatriza ou que fecha e reabre de tempos em tempos;
  • Desconforto, coceira e irritação da pele ao redor;
  • Episódios repetidos de dor e inchaço, quando o trajeto entope de novo e forma um novo abscesso.

Esse ciclo de "melhora e volta" é característico: sem tratamento definitivo, a fístula tende a permanecer, com fases de drenagem e fases de reagudização.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do abscesso é, na maioria das vezes, clínico — o exame da região já revela a área inchada, quente e dolorosa. No caso da fístula, além do exame, o médico avalia o trajeto do túnel: por onde entra, por onde sai e, principalmente, qual a sua relação com os músculos do esfíncter anal, responsáveis pelo controle das fezes.

Em fístulas mais complexas ou recidivadas, exames de imagem como a ressonância magnética da região ou a ultrassonografia endoanal ajudam a mapear o trajeto com precisão antes da cirurgia. Esse mapeamento é importante justamente para planejar um tratamento que resolva a fístula preservando a continência.

Tratamento do abscesso

O tratamento do abscesso anal é a drenagem cirúrgica: um procedimento para abrir e esvaziar a coleção de pus, aliviando a dor e controlando a infecção. Costuma ter caráter de urgência, porque esperar apenas prolonga o sofrimento e pode permitir que a infecção avance. O antibiótico isolado não substitui a drenagem — ele é um complemento em situações específicas, como infecções mais extensas, sinais de comprometimento geral ou pacientes com doenças que reduzem a imunidade.

Após a drenagem, o alívio da dor costuma ser rápido. O paciente é orientado sobre cuidados locais e acompanhado, porque é nessa fase que se define se ficará ou não uma fístula.

Tratamento da fístula: por que é cirúrgico

A fístula anal, por ser um trajeto revestido, não cicatriza sozinha, e o seu tratamento definitivo é cirúrgico. O grande objetivo da cirurgia é duplo: eliminar o trajeto da fístula e, ao mesmo tempo, preservar o músculo esfíncter para não comprometer o controle das fezes. É esse equilíbrio que torna o tratamento da fístula uma cirurgia que exige planejamento.

Existem diferentes técnicas, e a escolha depende sobretudo de quanto do esfíncter o trajeto atravessa e da complexidade da fístula. Fístulas mais simples e superficiais podem ser tratadas de forma mais direta; fístulas que envolvem uma porção maior do músculo exigem estratégias específicas, às vezes em mais de uma etapa, para tratar a doença sem prejudicar a continência. O cirurgião discute com o paciente a técnica mais adequada para o seu caso.

Quando procurar ajuda

Dor anal intensa e progressiva, com inchaço e febre, é um forte sinal de abscesso e merece avaliação com rapidez. Já a saída persistente de secreção por um orifício perto do ânus, ou uma "ferida" que fecha e reabre, sugere fístula e deve ser investigada — quanto antes o trajeto é tratado, menor a chance de novas crises. Nos dois casos, o desconforto e o constrangimento não devem adiar a procura por atendimento: são problemas comuns, bem conhecidos e com tratamento resolutivo.

Vale lembrar que nem toda queixa anal é abscesso ou fístula. Dor e sangramento na região também aparecem em outras condições, como a fissura anal, as hemorroidas e o cisto pilonidal — por isso o exame é o que define o diagnóstico correto.

Resumo prático

  • O abscesso anal é uma infecção aguda e muito dolorosa que precisa de drenagem cirúrgica, muitas vezes com urgência.
  • A fístula anal costuma ser a sequela crônica do abscesso: um túnel que drena secreção e não fecha sozinho.
  • Antibiótico, isolado, não resolve nenhum dos dois.
  • O tratamento definitivo da fístula é cirúrgico, com a preocupação central de preservar o controle das fezes.

Perguntas frequentes

Abscesso anal é a mesma coisa que fístula?
Não, mas estão ligados. O abscesso é a fase aguda: uma coleção de pus que dói muito e precisa ser drenada. A fístula é a fase crônica: um túnel que pode ficar depois que o abscesso drena, com saída persistente de secreção. Nem todo abscesso vira fístula, mas boa parte das fístulas começa como um abscesso.
Abscesso anal precisa de cirurgia ou só antibiótico resolve?
O tratamento do abscesso é a drenagem cirúrgica, geralmente com certa urgência para aliviar a dor e conter a infecção. O antibiótico isolado não substitui a drenagem; ele é usado em situações específicas, como quando há infecção mais extensa ou doenças associadas.
Fístula anal cicatriza sozinha?
Em geral, não. A fístula é um trajeto revestido que tende a se manter aberto e a drenar secreção de forma intermitente. O tratamento definitivo é cirúrgico, com técnicas escolhidas conforme o trajeto da fístula e a relação com os músculos do esfíncter.
Quais os sintomas do abscesso anal?
Dor intensa e latejante ao redor do ânus, que piora ao sentar e ao evacuar, inchaço, vermelhidão e calor na região, e muitas vezes febre e mal-estar. Pode haver saída espontânea de pus se o abscesso se romper.
A cirurgia de fístula anal afeta a continência (o controle das fezes)?
Esse é justamente o cuidado central da cirurgia: tratar a fístula preservando ao máximo o músculo esfíncter, responsável pela continência. Por isso a escolha da técnica depende do trajeto da fístula, e casos mais complexos exigem estratégias específicas para proteger o controle das fezes.

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