Dr. Daniel Szor
Plicoma anal ou hemorroida? Como diferenciar
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Plicoma anal ou hemorroida? Como diferenciar

14 de junho de 2026

Plicoma anal ou hemorroida? A confusão é muito comum — e faz sentido, porque as duas condições aparecem na mesma região e, com frequência, uma é consequência da outra. A diferença fundamental, porém, é simples: plicoma é pele; hemorroida é uma estrutura vascular. Essa distinção muda completamente o tratamento indicado para cada caso.

Característica Plicoma anal Hemorroida externa
O que é Dobra de pele benigna Coxim vascular dilatado/inflamado
Cor Igual à pele ao redor ou levemente mais escura Pode ficar arroxeada/azulada quando trombosada
Consistência Mole, flácida, vazia Mais firme; endurecida e muito dolorosa quando trombosada
Sangramento espontâneo Não Possível (especialmente nas hemorroidas internas)
Dor habitual Geralmente assintomático; dor quando inflamado Pode ser muito dolorosa (trombose) ou causar peso/desconforto
Causa principal Sequela de hemorroida passada, fissura ou gestação Pressão venosa aumentada, esforço, constipação
Some sozinho? Não, quando crônico/fibrosado Pode melhorar com tratamento clínico
Tratamento Observação ou remoção cirúrgica simples Mudança de hábitos, ligadura elástica, escleroterapia ou cirurgia

Plicoma: só pele, nada mais

O plicoma anal é uma dobra de pele benigna que se forma na borda externa do ânus. Ele surge como "rastro" de algum processo inflamatório anterior: uma hemorroida trombosada que resolveu, uma fissura anal crônica, o estiramento da pele durante a gestação ou o parto. Quando o episódio agudo passa, a pele que ficou esticada não retorna totalmente ao tamanho original — e fica ali como uma aba de tecido mole, sem conteúdo vascular dentro.

O plicoma, portanto, não sangra espontaneamente, não produz muco, não retorna para dentro do ânus e não contém veias ingurgitadas. É pele — só pele.

Hemorroida: o coxim vascular que ficou doente

As hemorroidas são estruturas vasculares normais do canal anal — coxins de vasos sanguíneos que participam normalmente da continência fecal. O problema surge quando esses coxins ficam ingurgitados, inflamados, prolapsados ou com coágulo formado dentro.

As hemorroidas se dividem em dois tipos:

  • Internas: localizam-se dentro do canal anal, acima da linha denteada. Podem sangrar (sangue vermelho vivo no papel higiênico ou na água do vaso), causar sensação de peso e, nos casos mais avançados, prolapsar para fora do ânus durante a evacuação.
  • Externas: localizam-se fora do canal anal. Quando formam um coágulo, chamamos de hemorroida trombosada — um nódulo azulado, firme e muito doloroso que surge de forma súbita.

O plicoma sentinela: o sinal que a maioria dos artigos ignora

Existe um tipo especial de plicoma que raramente é mencionado fora do consultório médico: o plicoma sentinela. Ele se localiza especificamente na borda posterior do ânus — o que os médicos chamam de posição 6 horas — e funciona como um marcador visível de fissura anal crônica.

A fissura anal é uma pequena ferida na mucosa do canal anal que não cicatriza. A inflamação repetida ao redor dessa ferida estimula a formação de um espessamento de pele logo abaixo — o plicoma sentinela. Ele não é uma hemorroida; também não é uma verruga por HPV. É o corpo sinalando que existe uma ferida crônica ali que não fechou.

A consequência prática é importante: tratar apenas o plicoma sem tratar a fissura não resolve nada. O plicoma vai voltar enquanto a fissura estiver ativa. A abordagem correta começa pelo tratamento da fissura — com pomadas que relaxam o esfíncter, com injeção de toxina botulínica ou com cirurgia — e o plicoma, quando necessário, é retirado no mesmo procedimento.

Plicoma inflamado: o que fazer antes de pensar em cirurgia

O plicoma pode ficar inflamado — especialmente quando é recente, quando há fissura associada, ou quando a higiene local está sendo difícil. Nessa situação, ele aumenta de volume, fica avermelhado e doloroso. É fácil confundir um plicoma inflamado com uma hemorroida em crise aguda.

Antes de cogitar qualquer cirurgia, o plicoma inflamado deve ser manejado de forma conservadora:

  • Banhos de assento com água morna por 10 a 15 minutos, duas a três vezes ao dia
  • Higiene delicada com água (evitar papel higiênico seco na fase aguda)
  • Anti-inflamatórios ou pomadas específicas, conforme orientação médica
  • Regularização do hábito intestinal para reduzir o esforço evacuatório

A cirurgia de um plicoma inflamado é tecnicamente mais difícil e apresenta maior risco de complicações. A regra geral é: tratar a inflamação primeiro, e operar depois — se a cirurgia ainda for necessária após a fase aguda passar.

Por que a distinção entre plicoma e hemorroida muda o tratamento?

A diferença não é apenas conceitual. Ela define diretamente o que vai ser feito:

  • Hemorroida interna sangrante: pode ser tratada com ligadura elástica, escleroterapia ou cirurgia, conforme o grau de prolapsamento.
  • Hemorroida trombosada recente e muito dolorosa: nos primeiros dias, pode ser tratada com a retirada cirúrgica do coágulo (excisão), em geral sob anestesia local; nos casos em resolução espontânea, o tratamento é conservador.
  • Plicoma assintomático: observação. Não precisa de intervenção.
  • Plicoma com sintomas (coceira, dificuldade de higiene, desconforto): remoção cirúrgica simples, ambulatorial, com anestesia local.
  • Plicoma sentinela: tratamento da fissura anal em primeiro lugar; o plicoma pode ser retirado junto se necessário.

Aplicar o tratamento de hemorroida a um plicoma — ou o contrário — não resolve o problema. Não é raro um paciente tentar tratamentos para hemorroida durante meses sem melhora porque o que tinha era, na verdade, um plicoma (ou o inverso). O diagnóstico correto é o passo que muda tudo.

Como o diagnóstico é feito?

O diagnóstico é clínico — feito pelo exame físico. O médico inspeciona a região anal e palpa as lesões. Na maioria dos casos, nenhum exame de imagem ou laboratorial é necessário para diferenciar plicoma de hemorroida. A anuscopia (introdução de um pequeno instrumento iluminado no canal anal) pode ser realizada para avaliar hemorroidas internas ou fissuras que não são visíveis pela inspeção externa. O exame é simples, rápido e ambulatorial.

Perguntas frequentes

Dá para saber se é plicoma ou hemorroida sem ir ao médico?

Algumas características ajudam: o plicoma é uma aba de pele mole, não tem conteúdo vascular, não sangra e não retorna para dentro do ânus. A hemorroida externa trombosada forma um nódulo azulado, firme e muito doloroso, de aparecimento súbito. Mas hemorroidas internas e plicomas coexistem com frequência, e o exame médico é necessário para identificar o que está causando os sintomas e definir o tratamento mais adequado.

Plicoma e hemorroida podem ocorrer ao mesmo tempo?

Sim, e isso é muito comum. O plicoma frequentemente é a sequela de uma hemorroida externa que trombosou no passado: a trombose resolve, mas a pele que ficou esticada permanece como plicoma. É totalmente possível ter uma hemorroida ativa e um plicoma na mesma região ao mesmo tempo.

Qual dói mais: plicoma ou hemorroida?

Em geral, a hemorroida trombosada é a condição mais dolorosa — a dor pode ser intensa e constante nos primeiros dias. O plicoma isolado raramente é muito doloroso; quando dói, quase sempre é porque está inflamado ou porque existe uma fissura anal ativa associada. O plicoma crônico e fibrosado costuma ser assintomático ou causar apenas leve desconforto.

Se eu tiver os dois, qual é tratado primeiro?

Depende do que está causando sintomas. Em geral, trata-se o componente ativo — a hemorroida em crise ou a fissura — e avalia-se depois se o plicoma ainda incomoda o suficiente para justificar a remoção. Muitas vezes, após o tratamento das hemorroidas, o plicoma residual passa a não incomodar mais e a cirurgia deixa de ser necessária.

Se você tem dúvida sobre uma lesão anal — seja plicoma, hemorroida ou qualquer outra coisa — agende uma avaliação. O diagnóstico correto é o primeiro passo para o tratamento certo.

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