Dr. Daniel Szor
Entendendo a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa
Voltar ao Informativo
Informativo

Entendendo a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa

11 de junho de 2026

A doença inflamatória intestinal (DII) reúne duas condições crônicas em que o sistema de defesa do corpo ataca o próprio intestino, causando inflamação: a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. São doenças que evoluem em ciclos, com períodos de atividade (crises) e de melhora (remissão), e que exigem acompanhamento ao longo da vida.

Crohn e retocolite: qual a diferença?

As duas doenças têm muito em comum, mas se comportam de maneiras diferentes:

  • A retocolite ulcerativa afeta apenas o intestino grosso (cólon e reto) e atinge somente a camada mais superficial da parede, de forma contínua.
  • A doença de Crohn pode atingir qualquer parte do tubo digestivo, da boca ao ânus — sendo mais comum no final do intestino delgado e no início do cólon —, costuma poupar trechos entre as áreas doentes e inflama a parede de forma mais profunda.

Essa diferença explica por que o Crohn pode levar a complicações como estreitamentos, fístulas e abscessos com mais frequência.

Quais são os sintomas

Os sintomas variam conforme o tipo e a região afetada, mas os mais comuns são:

  • Diarreia prolongada, às vezes com sangue ou muco — mais típica da retocolite.
  • Dor ou cólica abdominal, frequente no Crohn.
  • Urgência e sensação de evacuação incompleta.
  • Perda de peso, cansaço e anemia.
  • Febre baixa nos períodos de atividade.

Como esses sintomas também aparecem em infecções e em outras doenças intestinais, sintomas que persistem por semanas merecem investigação.

Não é só no intestino

A DII é considerada uma doença sistêmica: além do intestino, pode afetar outros órgãos. Algumas pessoas apresentam manifestações fora do intestino, como dores e inflamação nas articulações, lesões na pele, inflamação nos olhos e alterações no fígado. Reconhecer esses sinais é importante porque eles podem surgir até antes dos sintomas intestinais e influenciam a escolha do tratamento.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico combina a história clínica, exames de sangue e de fezes (incluindo a calprotectina fecal, que ajuda a medir a inflamação no intestino), exames de imagem e, principalmente, a colonoscopia com biópsias. A análise do material coletado ajuda a confirmar a doença e a diferenciar o Crohn da retocolite.

Como é o tratamento

O objetivo do tratamento é controlar a inflamação, aliviar os sintomas, manter a doença em remissão e prevenir complicações. Existem várias classes de medicamentos — desde anti-inflamatórios específicos do intestino até imunossupressores e os modernos medicamentos biológicos, que agem em alvos específicos do processo inflamatório. O tratamento é individualizado e ajustado ao longo do tempo.

A cirurgia tem papel diferente em cada doença. Na retocolite, em casos graves que não respondem aos remédios, a retirada do cólon pode até curar a doença intestinal. No Crohn, a cirurgia geralmente trata complicações (como estreitamentos e fístulas), mas não cura a doença, que pode voltar em outras áreas. A decisão de operar é sempre conjunta, entre o gastroenterologista, o cirurgião e o paciente.

O que diz a pesquisa recente

Uma revisão publicada por Rogler G et al., Gastroenterology, 2021, abordou justamente as manifestações fora do intestino na doença inflamatória intestinal. Os autores destacam que essas manifestações podem ocorrer em uma parcela significativa dos pacientes — em alguns casos antes mesmo do aparecimento dos sintomas intestinais — e que afetam de forma importante a qualidade de vida. As regiões mais acometidas são articulações, pele e olhos, mas fígado, pulmão e pâncreas também podem ser envolvidos. A mensagem prática é que a DII deve ser encarada como uma doença do organismo todo, e que reconhecer essas manifestações ajuda a escolher o tratamento mais adequado. Ver no PubMed.

Vivendo com a doença

Com diagnóstico correto e tratamento adequado, a maioria das pessoas com DII consegue levar uma vida ativa. O acompanhamento regular permite ajustar o tratamento, controlar as crises e reduzir o risco de complicações ao longo do tempo, incluindo a vigilância periódica do intestino, recomendada em alguns casos.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser individualizados. Se você tem diarreia prolongada, sangramento ou dor abdominal persistente, procure avaliação médica — e, se desejar, agende uma consulta com o Dr. Daniel Szor.

Ficou com dúvidas?

Entre em contato para agendar uma consulta com o Dr. Daniel Szor no Hospital Albert Einstein — Unid. Perdizes.

Agendar consulta