Dr. Daniel Szor
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Diverticulite, sintomas, tratamento e quando é preciso operar

28 de julho de 2026

Resposta rápida

A diverticulite é a inflamação (às vezes com infecção) de pequenas bolsas na parede do intestino grosso, os divertículos. O sintoma mais típico é dor persistente no lado esquerdo inferior do abdome, muitas vezes com febre e alteração do hábito intestinal. A maioria dos casos é não complicada e trata-se com repouso, dieta e, em parte dos casos, antibióticos, sem cirurgia. A operação fica reservada para as formas complicadas (abscesso, perfuração com peritonite, obstrução ou fístula) e para casos selecionados de crises repetidas. O diagnóstico é confirmado, na maioria das vezes, por tomografia.

Sentir uma dor persistente no lado esquerdo da barriga, acompanhada de febre e alteração do funcionamento do intestino, é uma das formas mais típicas de a diverticulite se manifestar. Trata-se de uma das causas mais comuns de dor abdominal que levam à emergência, especialmente a partir dos 50 anos — e, embora o nome assuste, a maioria dos casos tem tratamento clínico e boa evolução.

Este guia explica, em linguagem simples, o que são os divertículos, a diferença fundamental entre diverticulose e diverticulite, quais são os sintomas, como o diagnóstico é feito, quando o tratamento é apenas com repouso e antibióticos e — o ponto que mais gera dúvida — quando a cirurgia realmente é necessária.

O que são divertículos

Os divertículos são pequenas bolsas, ou saculações, que se formam na parede do intestino grosso (cólon), geralmente na sua porção final, o cólon sigmoide, do lado esquerdo do abdome. Eles surgem em pontos mais frágeis da parede intestinal, por onde a mucosa acaba se projetando para fora, como pequenas "hérnias" internas.

A simples presença desses divertículos é chamada de diverticulose. Ela é muito comum e sua frequência aumenta com a idade: uma boa parte das pessoas acima dos 60 anos tem divertículos, na maioria das vezes sem nunca sentir nada. A diverticulose está associada, entre outros fatores, a uma dieta pobre em fibras ao longo da vida, à constipação e ao envelhecimento natural da parede intestinal.

Diverticulose x diverticulite: a diferença que muda tudo

Esta distinção é a chave para entender o problema:

  • Diverticulose — é apenas ter os divertículos. Na imensa maioria das vezes, é assintomática e descoberta por acaso numa colonoscopia ou tomografia. Não é doença, é uma condição.
  • Diverticulite — é quando um (ou mais) desses divertículos inflama, muitas vezes com infecção associada. Aí sim surgem os sintomas: dor, febre e mal-estar. É a diverticulite, e não a diverticulose, que pode exigir tratamento e, em alguns casos, cirurgia.

Ter divertículos, portanto, não significa que a pessoa terá diverticulite. Apenas uma parcela das pessoas com diverticulose desenvolve, ao longo da vida, um episódio de inflamação.

Sintomas da diverticulite

O quadro clássico é uma dor contínua no lado esquerdo inferior do abdome, que costuma se instalar ao longo de horas ou dias e não passa. A essa dor podem se somar:

  • Febre e calafrios;
  • Náuseas e, às vezes, vômitos;
  • Alteração do hábito intestinal — prisão de ventre ou, menos comumente, diarreia;
  • Distensão abdominal e sensação de empachamento;
  • Vontade frequente de evacuar ou desconforto ao evacuar.

Alguns sinais são de alarme e exigem avaliação médica imediata, pois sugerem complicação: dor abdominal intensa e que se espalha por toda a barriga, febre alta, ventre muito rígido, parada de eliminação de fezes e gases, ou sangramento importante. Nesses casos, não se deve esperar em casa.

Como é feito o diagnóstico

A suspeita nasce da história clínica e do exame físico — a localização e o caráter da dor são bastante sugestivos. Exames de sangue ajudam a avaliar a inflamação (por exemplo, leucócitos e proteína C-reativa). A confirmação, na maioria dos casos, vem da tomografia de abdome, que é o exame de escolha na fase aguda: ela mostra o divertículo inflamado, avalia a extensão do processo e, principalmente, detecta complicações como abscessos (coleções de pus), perfuração e obstrução.

A colonoscopia não costuma ser feita durante a crise aguda, porque pode ser desconfortável e, em tese, arriscada com o intestino inflamado. Ela é reservada para depois da recuperação, geralmente algumas semanas após o episódio, com o objetivo de avaliar todo o cólon e descartar câncer de intestino, cujo aspecto pode, às vezes, se confundir com o da diverticulite nos exames de imagem. Vale a leitura sobre como se preparar para a colonoscopia e sobre os sinais do câncer colorretal.

Diverticulite complicada e não complicada

Do ponto de vista prático, o que orienta o tratamento é classificar o episódio em dois grandes grupos:

  • Diverticulite não complicada — é a forma mais frequente. Há inflamação, mas sem abscesso, sem perfuração livre, sem obstrução e sem fístula. A maioria desses casos evolui bem com tratamento clínico.
  • Diverticulite complicada — quando surge alguma dessas situações: abscesso (coleção de pus), perfuração (que pode levar à peritonite, uma infecção grave de toda a cavidade abdominal), obstrução do intestino ou fístula (uma comunicação anormal entre o intestino e outro órgão, como a bexiga). São essas formas que mais frequentemente exigem intervenção.

Tratamento sem cirurgia

A boa notícia é que a maior parte das diverticulites é não complicada e melhora sem operação. O tratamento clínico costuma envolver:

  • Repouso e ajuste da dieta — em geral com redução da ingestão de resíduos na fase mais aguda e retorno gradual à alimentação normal com a melhora.
  • Antibióticos — usados em boa parte dos casos, embora as diretrizes mais recentes mostrem que episódios leves e selecionados de diverticulite não complicada podem ser tratados sem antibiótico, sob acompanhamento médico. Essa decisão é individualizada.
  • Controle da dor e hidratação, que em casos mais intensos podem exigir internação para medicação na veia.

Quando há um abscesso pequeno, muitas vezes ele é tratado com antibióticos e, se necessário, com uma drenagem guiada por imagem (um cateter colocado através da pele para esvaziar a coleção), evitando ou adiando uma cirurgia maior. A maioria dos pacientes se recupera bem e retoma a vida normal.

Quando é preciso operar

A cirurgia na diverticulite tem dois grandes cenários: a urgência e a eletiva (programada).

Cirurgia de urgência

É indicada nas complicações graves, principalmente na perfuração com peritonite — quando o conteúdo do intestino escapa para a cavidade abdominal e causa uma infecção difusa. É uma emergência. Também pode ser necessária diante de abscessos que não respondem ao tratamento, obstrução intestinal ou sangramento incontrolável. Nessas operações, retira-se o segmento doente do intestino (geralmente o sigmoide); dependendo das condições, o cirurgião pode reconstruir o trânsito na hora ou, em situações de infecção importante, optar por uma colostomia temporária (uma bolsa), que costuma ser revertida mais adiante.

Cirurgia eletiva (programada)

Fora da urgência, a retirada programada do segmento do cólon pode ser considerada em situações selecionadas, como crises de repetição que afetam muito a qualidade de vida, quando fica uma fístula estabelecida, ou quando persiste uma dúvida diagnóstica com câncer. A decisão de operar de forma eletiva é sempre individualizada: leva em conta o número e a gravidade dos episódios, a idade, o estado geral e a preferência do paciente, discutidos caso a caso com o cirurgião. Quando indicada e feita fora da crise, essa cirurgia costuma poder ser realizada por videolaparoscopia, com recuperação mais rápida.

Dieta e prevenção

Durante a crise, a orientação alimentar é mais restrita e vai sendo liberada conforme a melhora. Já para prevenir novos episódios e cuidar da saúde do intestino a longo prazo, o pilar é uma dieta rica em fibras (frutas, verduras, legumes, cereais integrais), boa hidratação e atividade física regular, o que ajuda a manter o funcionamento intestinal e a combater a constipação. A antiga recomendação de evitar sementes, castanhas e grãos para quem tem divertículos foi, em grande parte, abandonada, pois não se confirmou que esses alimentos provoquem diverticulite.

Resumo prático

A diverticulite é a inflamação dos divertículos do intestino grosso e uma causa comum de dor no lado esquerdo do abdome. Os pontos essenciais:

  • Ter divertículos (diverticulose) é comum e, em geral, não dá sintomas; diverticulite é quando eles inflamam.
  • O diagnóstico na fase aguda é feito sobretudo pela tomografia; a colonoscopia vem depois, para descartar câncer.
  • A maioria dos casos é não complicada e melhora sem cirurgia.
  • A cirurgia é reservada às complicações (perfuração, abscesso que não resolve, obstrução, fístula) e a casos selecionados de repetição.

Diante de dor abdominal persistente com febre, o mais importante é procurar avaliação: um diagnóstico correto define se o caminho é o tratamento clínico ou se há uma complicação que exige a mão do cirurgião.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre diverticulose e diverticulite?
Diverticulose é apenas a presença dos divertículos (as bolsinhas) no intestino, geralmente sem sintomas. Diverticulite é quando um ou mais desses divertículos inflamam, causando dor, febre e outros sintomas. Ter divertículos não significa ter ou que vai ter diverticulite.
Diverticulite sempre precisa de cirurgia?
Não. A maioria dos episódios é não complicada e melhora com tratamento clínico — repouso, dieta e, em parte dos casos, antibióticos. A cirurgia é indicada nas formas complicadas (abscesso, perfuração com peritonite, obstrução ou fístula) e em situações selecionadas de crises de repetição.
Quais os sintomas da diverticulite?
O mais comum é dor contínua no lado esquerdo inferior da barriga, que pode vir com febre, náuseas, alteração do hábito intestinal (prisão de ventre ou diarreia) e distensão. Sinais de alarme como dor intensa e generalizada, febre alta ou parada de eliminação de fezes e gases exigem avaliação de urgência.
Como é feito o diagnóstico de diverticulite?
A suspeita vem da história e do exame físico, apoiada por exames de sangue. A confirmação, na maioria dos casos, é feita pela tomografia de abdome, que mostra a inflamação e detecta complicações como abscesso ou perfuração. A colonoscopia costuma ser feita depois da fase aguda, para avaliar o intestino.
Diverticulite pode virar câncer?
A diverticulite em si não vira câncer, mas alguns quadros podem se parecer com um tumor no exame de imagem. Por isso, após a crise, costuma-se indicar colonoscopia para descartar câncer de intestino, sobretudo quando ainda não havia exame recente.

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