Dr. Daniel Szor
Cirurgia de hemorroidas dói? A verdade sobre a recuperação
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Cirurgia de hemorroidas dói? A verdade sobre a recuperação

14 de junho de 2026

A cirurgia de hemorroidas dói? A resposta honesta é: depende da técnica. A hemorroidectomia convencional é conhecida por um pós-operatório bastante desconfortável, especialmente nos primeiros dias. Já as técnicas modernas — como a desarterialização (THD), o laser e a cirurgia com grampeador (PPH) — tendem a causar dor significativamente menor e permitem um retorno mais rápido às atividades. Mas cada abordagem tem indicação específica, e nem toda hemorroida precisa de cirurgia.

Por que a cirurgia convencional dói tanto?

A região anal é uma das mais sensíveis do corpo humano, repleta de terminações nervosas. Na hemorroidectomia convencional — também chamada de técnica de Milligan-Morgan ou Ferguson — os mamilos hemorroidários são retirados cirurgicamente, deixando feridas abertas ou suturadas muito próximas à pele anal. Isso explica por que muitas pessoas descrevem o pós-operatório como o período mais desconfortável de suas vidas.

A dor tende a ser mais intensa nas primeiras 48 a 72 horas e piora especialmente durante as evacuações. Ela vai diminuindo ao longo de duas a três semanas, mas pequenos desconfortos podem persistir por até um mês ou mais, dependendo da extensão da cirurgia e da resposta individual.

Isso não significa que a cirurgia convencional deva ser evitada. Em hemorroidas de graus III e IV com prolapso importante e vasos calibrosos, ela ainda é a técnica com as melhores taxas de cura em longo prazo. O benefício, nesses casos, supera o desconforto do pós-operatório.

Técnicas modernas: menos dor, mas com indicações próprias

Nas últimas décadas surgiram abordagens que preservam a mucosa anal e atuam nas hemorroidas de forma menos agressiva. Cada uma tem indicação precisa — não existe "a melhor técnica para todos".

Técnica Graus indicados Dor esperada Afastamento aproximado
Hemorroidectomia convencional (Milligan-Morgan / Ferguson) III e IV (e casos mistos complexos) Intensa nos primeiros dias; moderada por 2–3 semanas 14–21 dias
PPH (grampeador / Longo) III e alguns IV com prolapso mucoso predominante Leve a moderada; melhora rápida 7–10 dias
THD / Desarterialização com mucopexia II, III e selecionados IV Leve; a maioria retorna ao trabalho em poucos dias 3–7 dias
Laser I, II e III iniciais Mínima a leve 1–5 dias
Ligadura elástica (não é cirurgia, é procedimento ambulatorial) I e II (e alguns III) Desconforto leve a moderado por 2–3 dias Geralmente sem afastamento formal

Atenção: os números de afastamento são estimativas. Quem trabalha em funções que exigem esforço físico intenso pode precisar de mais tempo do que quem trabalha sentado.

Quando a cirurgia é realmente necessária?

Hemorroidas de graus I e II costumam responder bem a mudanças de dieta (mais fibras e água), hábitos no banheiro (não forçar, não ficar tempo demais no vaso), banhos de assento e, às vezes, medicamentos tópicos ou procedimentos ambulatoriais como a ligadura elástica. A cirurgia não costuma ser a primeira escolha nesses casos.

A indicação cirúrgica fica mais clara quando:

  • As hemorroidas são de grau III ou IV com prolapso que não reduz espontaneamente;
  • Há sangramento importante e repetido que não melhora com tratamento clínico;
  • Existe trombose aguda com dor intensa;
  • Os procedimentos ambulatoriais não resolveram o problema.

Recuperação dia a dia: o que esperar

O roteiro abaixo é uma referência geral para a hemorroidectomia convencional, que é a que exige mais cuidado. As técnicas modernas costumam ter evolução mais rápida.

Primeiros 3 dias

São os mais desconfortáveis. A dor é esperada, principalmente ao evacuar. O médico prescreverá analgésicos e, muitas vezes, um anti-inflamatório. Repousar e manter a dieta leve ajudam muito. Evite esforço físico.

Dias 4 a 10

A dor começa a ceder progressivamente. O inchaço ainda pode estar presente. Comece a introduzir gradualmente alimentos com mais fibra. O banho de assento morno (duas a três vezes ao dia, especialmente após evacuar) alivia o desconforto e ajuda na cicatrização.

Semanas 2 e 3

A maioria das pessoas consegue retornar ao trabalho sedentário nesse período, após cirurgia convencional. Atividades físicas moderadas podem ser retomadas conforme orientação do cirurgião.

A partir da 4ª semana

A cicatrização está mais avançada. Pequenos pontos de sangramento ou secreção ainda podem ocorrer e são, em geral, normais. Dor intensa, febre, sangramento abundante ou dificuldade de urinar devem ser comunicados imediatamente ao cirurgião.

Cuidados essenciais na recuperação

  • Banho de assento morno: duas a três vezes ao dia por 10–15 minutos, especialmente após evacuar. Alivia a dor e previne infecção.
  • Dieta rica em fibras desde o início: frutas, legumes, verduras e grãos integrais ajudam a amolecer as fezes e tornam a evacuação menos dolorosa. O médico pode indicar um suplemento de fibras.
  • Hidratação: beba bastante água ao longo do dia.
  • Analgesia regular: não espere a dor ficar insuportável para tomar o remédio. Siga o esquema prescrito.
  • Laxante suave se necessário: o cirurgião pode receitar nos primeiros dias para evitar fezes ressecadas.
  • Evite esforço e levantamento de peso: nas primeiras semanas, especialmente após cirurgia convencional.
  • Retorno programado: não fique com dúvidas; ligue para o consultório se algo não estiver como esperado.

Perguntas frequentes

Dá para fazer a cirurgia e voltar ao trabalho no dia seguinte?

Com as técnicas minimamente invasivas (THD, laser), algumas pessoas com trabalho sedentário conseguem voltar em dois a quatro dias. Com a cirurgia convencional, o mais comum é aguardar entre 10 e 21 dias. Isso varia muito de pessoa para pessoa e do tipo de trabalho.

A anestesia é geral ou local?

Na maioria das vezes, usa-se raquianestesia (anestesia na coluna), que adormece a parte inferior do corpo. A anestesia geral também é uma opção em alguns casos. A decisão é feita em conjunto com o anestesiologista, levando em conta o estado de saúde do paciente.

As hemorroidas voltam depois da cirurgia?

Com a hemorroidectomia convencional, a recorrência é baixa em longo prazo. As técnicas modernas, especialmente para graus menores, têm taxas de recorrência um pouco maiores ao longo dos anos, mas o perfil de dor e recuperação é bem mais favorável. O médico discutirá o risco de recorrência para cada técnica no seu caso.

Preciso ser internado?

A maioria das cirurgias de hemorroidas é feita em regime de hospital-dia: o paciente fica algumas horas em observação e vai para casa no mesmo dia. Internações de um dia podem ser necessárias em casos mais complexos.

Se você está com dúvidas sobre qual tratamento é o mais adequado para o seu caso, o primeiro passo é uma avaliação com um cirurgião do aparelho digestivo. Cada caso é conduzido de forma individualizada, considerando o grau da doença, o perfil do paciente e as melhores evidências disponíveis. Agende sua consulta para entender, sem pressa, qual é a melhor opção para você.

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